Berlusconi diz que relatório Goldstone é injusto com Israel

Jerusalém, 3 fev (EFE).- O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou hoje no Parlamento israelense (Knesset, de uma só câmara) que o relatório Goldstone incrimina falsamente o Estado judeu ao acusá-lo de crimes de guerra na ofensiva em Gaza ocorrida há mais de um ano.

EFE |

Berlusconi, que se dirigiu à câmara fazendo uso de um privilégio que Israel concede só aos mais próximos aliados da comunidade internacional, afirmou que seu país se opôs ao relatório do juiz sul-africano, que analisava a operação militar de 22 dias, na qual 1,4 mil palestinos morreram (maioria civis) e 13 israelenses.

O chefe do Governo italiano revelou que o relatório, aprovado pela Assembleia da ONU e que pede a ambas as partes fazerem investigações independentes sobre os fatos, culpa Israel apesar de ter afirmado que se defendia dos foguetes do movimento islamita Hamas, ao que Goldstone também acusa por crimes de guerra.

Berlusconi fez referência em seu discurso à ameaça nuclear iraniana e assinalou que a comunidade internacional deve "acabar com as perigosas ambições do regime iraniano".

"A forma correta é a supervisão multilateral dos desenvolvimentos militares que o programa iraniano possa produzir e a exigência de garantias por parte do Governo de Teerã, além de exigir que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) realize vistorias periódicas às instalações e supervisione as conversas nucleares", assinalou.

Segundo o dirigente italiano, os "sinais de boa vontade" dos iranianos não devem ser rechaçados, mas é preciso deixar claro que "os esforços de diálogo não se estagnarão nem serão uma perda de tempo".

Berlusconi iniciou seu discurso elogiando o Knesset por "representar os ideais universais" e ser "o maior exemplo de democracia e liberdade do Oriente Médio, se não o único".

Citando o papa João Paulo II, o chefe do Governo italiano disse que a Itália é "como o irmão mais velho de Israel", em um discurso interrompido em várias ocasiões por aplausos e que finalizou com uma grande ovação com todos os presentes em pé.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, agradeceu ao colega italiano e destacou que em sua liderança a "Itália se transformou em ponta de lança na luta contra o anti-semitismo".

"És um líder valente, que está ao lado de Israel e os cidadãos israelenses devem entender o alcance de teu apoio", disse Netanyahu.

Após o discurso na câmara, o chefe do Governo italiano almoçou com o presidente de Israel Shimon Peres e, posteriormente, foi à cidade de Belém, na Cisjordânia, onde se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, antes de acabar os três dias de viagem oficial a Israel e aos territórios palestinos. EFE aca-db/dm

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