Roma, 2 out (EFE).- O primeiro-ministro da Itália, o conservador Silvio Berlusconi, afirmou hoje em coletiva de imprensa que um aumento de poderes do chefe do Executivo não suporia nenhum risco de ditadura no país.

Berlusconi declarou que existem outras nações da Europa nas quais o chefe de Governo tem mais poder do que ele e que são "democracias plenas" e sem riscos de se tornarem autoritaristas nem "regimes ditatoriais".

As declarações de Berlusconi foram feitas depois de a oposição ter denunciado que existe um risco de "desapropriação" do Parlamento caso Berlusconi leve adiante o objetivo anunciado.

As denúncias da oposição se referem às declarações feitas ontem por Berlusconi durante uma visita a Nápoles, onde anunciou sua intenção de pôr limites aos poderes que a Constituição italiana concede ao primeiro-ministro com o uso, em larga escala, de decretos-lei.

Além disso, Berlusconi solicitou hoje aos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados que mudem os regulamentos para poder assim acelerar a aprovação das leis.

O presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, advertiu hoje que "recorrer aos decretos-lei está dentro das prerrogativas do Governo", mas que "um eventual abuso deste instrumento não só determinaria valorações políticas, mas limitaria o direito da Câmara de expressar sua opinião".

As críticas feitas hoje a Sivio Berlusconi se somam às realizadas pelo líder da principal legenda de oposição - o Partido Democrata (PD) -, Walter Veltroni, na segunda-feira passada, nas quais comparou o primeiro-ministro da Itália com o premier russo, Vladimir Putin.

Veltroni afirmou que com o Governo de Silvio Berlusconi, a Itália corre o risco de se aproximar do "modelo Putin", com um poder "autoritário". EFE ebp/ab/rr

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