Berlusconi diz que pressionará Brasil a extraditar Battisti

ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse que fará de tudo para convencer o Brasil a extraditar Cesare Battisti, mas não quer pôr em risco as excelentes relações entre os dois países. Battisti, 54, foi preso por homicídio na Itália, nos anos 1970, quando era membro do grupo guerrilheiro Proletários Armados pelo Comunismo. Ele escapou da prisão em 1981 e fugiu para a França. No entanto, ficou novamente foragido quando Paris aprovou sua extradição, em 2006, e posteriormente foi encontrado no Brasil.

Reuters |

A decisão do Brasil de dar a Battisti o status de refugiado político despertou protestos diplomáticos na Itália, que o chama de "terrorista". Battisti foi condenado por dois asssassinatos antes de fugir e tem contra si mais duas acusações de homicídio.

Berlusconi disse que o caso não pode prejudicar as relações com o Brasil, mas ressaltou: "este caso deve avançar na arena apropriada --os tribunais--, onde a Itália não vai poupar esforços para conseguir a extradição de Battisti para o nosso país".

O premiê disse que "tem esperança no sucesso" do apelo italiano ao Supremo Tribunal Federal, que vai decidir o caso.

Alguns políticos italianos querem protestos mais duros contra a decisão brasileira, como o cancelamento de um amistoso entre as seleções de futebol dos dois países em Londres, no dia 10 de fevereiro. No entanto, Roma disse que não tem intenções de suspender a partida.

O caso também envolveu a primeira-dama da França, Carla Bruni, que foi acusada por uma associação de vítimas italiana de influenciar a decisão do governo brasileiro, durante sua visita ao país, em dezembro.

Nascida na Itália, Bruni desmentiu a acusação na televisão italiana, no domingo. Ela foi criticada na Itália no ano passado, por apoiar uma guerrilheira italiana exilada na França, cuja extradição foi rejeitada por Paris.

Battisti acusa o governo italiano de lhe negar um julgamento justo, dizendo nesta semana à revista IstoÉ que a influência de Berlusconi, uma magnata da mídia, sobre a imprensa italiana fez com que a cobertura sobre seu caso fosse tendenciosa.

Ele também acusa políticos italianos de quererem se vingar dele por causa de um documentário, no qual afirmou que, no período em que foi julgado e preso, "a tortura fazia parte da vida diária" e prisioneiros como ele eram maltratados.

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