Berlusconi diz que não está preocupado com julgamento

Premiê faz primeira declaração após justiça decidir levá-lo a tribunal para se explicar por 'caso Ruby'

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou nesta quarta-feira que não está preocupado com o julgamento ao qual será submetido pela acusação de abuso de poder e de pagar para ter relações sexuais com a jovem marroquina Ruby R., que na época tinha 17 anos.

Em seu primeiro pronunciamento após a Justiça italiana ter decidido levá-lo a julgamento, Berlusconi evitou responder perguntas sobre o caso durante uma coletiva de imprensa em Roma sobre questões econômicas.

"Por amor ao meu país, não falarei sobre isso", afirmou o premiê. "Só posso dizer uma coisa: não estou nem um pouco preocupado."

Reuters
Berlusconi concede entrevista coletiva em Roma

Berlusconi terá de compartecer ao Tribunal de Milão em 6 de abril para a primeira audiência do processo, que será presidida pelas juízas Carmen D'Elia, Orsolina De Cristofaro e Giulia Turri. A juíza Cristina Di Censo aceitou o pedido por um julgamento imediato feito pela promotoria de Milão. De acordo com o código penal italiano, para que a promotoria possa solicitar o procedimento imediato, em que não se prevê a realização de uma audiência preliminar, é necessário que exista uma prova evidente e o suspeito tenha sido convocado a depor sobre os fatos.

Berlusconi é acusado de pagar para ter relações sexuais com a Ruby e de abuso de poder por ter feito um telefonema a uma delegacia de Milão para que libertasse a jovem - retida por um pequeno roubo -, sob alegação de que ela era sobrinha do então presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Embora Berlusconi já tenha sido julgado por acusações ligadas aos seus negócios, essa é a primeira vez que o bilionário premiê de 74 anos enfrenta um processo por conduta pessoal. Ele nega as acusações, que classifica de "repugnantes".

A defesa de Berlusconi pretende demonstrar que Ruby, ao ser presa, teria tentado mentir sobre o ano da data de nascimento, fingindo ser maior de 18 anos para os policiais. Assim, ela teria também enganado Berlusconi.

Pedidos de renúncia

Após o anúncio da data do início do julgamento, os partidos de oposição de esquerda pediram a renúncia de Berlusconi. "Pedimos a renúncia porque é uma situação insustentável", disse o secretário do Partido Democrata (PD), Pier Luigi Bersani.

Na Câmara dos Deputados, o porta-voz do PD, Dario Franceschini, justificou que "não estão julgando o assunto penal de Berlusconi, mas estamos dizemos: 'Agora basta!' O presidente do Conselho deve atuar como qualquer político de qualquer parte do mundo, renunciar, apresentar-se diante dos juízes e defender-se se estiver convencido de que está sendo perseguido".

Também foi duramente criticado o ministro da Justiça italiano, Angelino Alfano, que pediu nesta terça a presunção de inocência do premiê. O ministro indicou que "evidentemente" a juíza Cristina di Censo não levou em conta essa legitimidade parlamentar e popular.

Em comunicado da Itália dos Valores, o magistrado Antonio Di Pietro tachou as palavras de Alfano de "gravíssimas" e "subversivas". "Os juízes estão sujeitos só à lei e não ao primeiro-ministro e, além disso, a obrigatoriedade da ação penal ainda não foi abolida", disse a nota.

Protestos

No domingo, centenas de milhares de italianos - grande parte mulheres - foram às ruas em cidades como Roma, Milão, Gênova, Turim e Palermo para defender a dignidade da mulher e expressar sua indignação pelos escândalos sexuais protagonizados por Berlusconi.

Segundo informações da imprensa local, os protestos aconteceram em cerca de 350 cidades italianas, além de algumas em outros países, como Espanha, França, Estados Unidos e Japão.

A iniciativa, que pediu e contou com a participação de homens, surgiu de um movimento popular espontâneo que nasceu na web, o "Se não agora, quando?", e pretende se desvincular de qualquer tipo de ideologia política.

Caso Ruby

O escândalo envolvendo a jovem veio à tona em outubro, quando a imprensa italiana noticiou que Ruby teria participado de festas ousadas com o premiê.

Presa após uma acusação de roubo, ela teria contado à polícia detalhes sobre sua participação em comemorações em Villa Arcore, a residência privada de Berlusconi perto de Milão. Na época, a jovem negou ter tido relações sexuais com o premiê. A marroquina afirmou que em 2009 esteve várias vezes na residência do premiê em Arcore, juntamente com outras jovens para a ‘brincadeira’ do ‘bunga-bunga’.

Segundo Ruby, o estilo de festa é africano e teria sido aprendido pelo premiê com o líder Muamar Kadafi, que gostava de fazê-lo em seu harém. No ‘bunga-bunga’ as moças tiram a roupa, dançam, se beijam e tomam banho para ‘divertir’ um grupo de convidados.

Divórcio

Silvio Berlusconi já se envolveu no passado em inúmeros escândalos sexuais que incentivaram sua esposa Veronica Lario a pedir o divórcio.

Em julho de 2010, Berlusconi se viu em meio a outro escândalo. Em uma festa privada do premiê, participaram seis dançarinas brasileiras, que fizeram uma apresentação da sensual "pole dance" (dança do poste).

Em 2009, Berlusconi enfrentou queda de popularidade e pressão para renunciar por causa de escândalos sexuais que incluíram acusações de que ele havia mantido relações com adolescentes e prostitutas de luxo. Em resposta às denúncias, em 22 de julho ele disse "não sou nenhum santo" e se comprometeu a cumprir seu mandato até o fim, em 2013.

Com EFE, Reuters, BBC e Ansa

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