Berlusconi diz que liberdade de imprensa não é "direito absoluto"

Lei impõe penas de 30 dias de prisão ou multas a jornalistas que publicarem escutas; na sexta, 90% da imprensa parou em protesto

EFE |

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, voltou a atacar neste sábado a imprensa e a esquerda de seu país ao declarar que invocam a liberdade de imprensa como se fosse um "direito absoluto" e acrescentou que tais direitos "não existem" na democracia.

Em mensagem à associação Promotores da Liberdade, pertencente ao seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), Berlusconi pediu a seus simpatizantes para que o ajudem a dar fim à "mordaça imposta à verdade" por uma imprensa alinhada com a esquerda e hostil ao governo.

"É uma imprensa que não só distorce a realidade, mas também pisoteia sistematicamente no sagrado direito à privacidade dos cidadãos invocando a liberdade de imprensa como se fosse um direito absoluto. Mas na democracia não existem direitos absolutos, pois todos os direitos encontram um limite em outros direitos igualmente válidos", disse Berlusconi.

Na sexta-feira, parte dos veículos de comunicação da Itália interrompeu suas atividades como forma de protesto contra a 'lei da mordaça' proposta pelo governo, que limita o uso e difusão de escutas telefônicas das investigações oficiais. A maioria dos jornais italianos não foi publicada na sexta-feira, enquanto rádios e televisões não transmitiram noticiários.

Segundo a Federação Nacional da Imprensa Italiana (FNSI), a greve teve apoio de 90% dos jornalistas italianos. O secretário da FNSI, Franco Siddi, promotor do protesto, assegurou que a greve foi a que teve "maior participação dos últimos 15 anos", com "mais de 90% das televisões, dos jornais, das rádios e das agências de notícias", em declarações divulgadas neste sábado pelo jornal "La Repubblica".

"A adesão foi muito alta", afirmou Siddi, que disse que até mesmo os veículos que decidiram não suspender suas atividades expressaram reprovação à lei, que ele qualificou como "equivocada".

A lei, que está em trâmite no Parlamento italiano, estabelece, entre outras medidas, penas de até 30 dias de prisão ou multas de até dez mil euros (US$ 12,6 mil) para os jornalistas que publicarem escutas durante as investigações.

A norma, avalizada pelo Senado no último dia 10 de junho, passará no plenário da Câmara dos Deputados no próximo 29 para seu debate definitivo e, embora no início era esperado que ela fosse aprovada sem mudanças, nos últimos dias a maioria conservadora deu a entender que podem ser introduzidas algumas remodelações.

Plano econômico

Em sua mensagem, Berlusconi também defendeu o plano de ajuste econômico proposto por seu Executivo, que prevê uma economia de quase 25 bilhões de euros (US$ 31,5 bilhões) para os próximos dois anos e que atraiu muitas críticas entre políticos e a população. Berlusconi disse que renunciará se o plano não for aprovado no Parlamento.

O chefe do governo italiano disse que se trata de uma medida "absolutamente necessária" que se ajusta ao pedido da União Europeia de reduzir o déficit público. Berlusconi se mostrou otimista sobre a situação econômica na Itália ao afirmar que a "recuperação" está "confirmada" por todos os estudos estatísticos e se referiu a dados como o aumento de 0,5% na produção industrial durante o primeiro trimestre de 2010.

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