Berlusconi diz que fechará fronteiras para conter criminalidade

Juan Lara Roma, 15 abr (EFE).- O fechamento das fronteiras para combater a criminalidade e a imigração ilegal, o fim dos impostos sobre imóveis e uma solução para a combalida Alitalia e a crise do lixo na cidade de Nápoles são as prioridades de Silvio Berlusconi, o grande vencedor das recém-realizadas eleições italianas.

EFE |

Um dia depois de assegurar pela terceira vez o cargo de primeiro-ministro, Berlusconi, de 71 anos, falou hoje com a imprensa em Roma, onde foi vigorosamente aplaudido por seus seguidores.

Mais enérgico que nunca, o conservador lembrou que já governou a Itália outras duas vezes, que já aprendeu como fazê-lo e que a primeira medida que tomará vai ser realizar a primeira reunião do gabinete de ministros em Nápoles, em cujas ruas o lixo se acumula há vários meses.

A segunda prioridade de Berlusconi vai ser a Alitalia, companhia aérea que está para ser vendida para o grupo franco-holandês Air France-KLM.

Segundo o líder da direita italiana, que não quer que a venda seja concretizada, não será difícil encontrar um grupo de empresários italianos interessado em assumir a companhia.

Outro foco do novo Executivo vai ser a luta contra a criminalidade e a imigração irregular. A esse respeito, Berlusconi se mostrou disposto a fechar as fronteiras e a deportar os imigrantes ilegais para seus países de origem.

O político disse ainda que vai aplicar a lei conhecida como Bossi-Fini, sancionada em 2002 e responsável pela introdução no Código Penal do crime de "imigração clandestina", e que aumentará as penas para os delitos mais graves.

Também foram anunciadas o aumento das pensões e da aposentadoria, a criação de um bônus de mil euros para os recém-nascidos, a reestruturação da máquina pública, a modernização da Justiça e uma reforma na educação.

Feliz pela vitória, Berlusconi defendeu a polêmica lei eleitoral ao assegurar que a legislação "funcionou" e permitiu a redução drástica dos partidos políticos no Parlamento, agora reduzidos a três no Senado, e a quatro na Câmara dos Deputados.

Sobre o fato de que, pela primeira vez, a esquerda comunista e o Partido Verde não terão representantes no Parlamento, o conservador disse que a esquerda estará, sim, no Legislativo, com o Partido Democrata (PD), de Walter Veltroni.

O líder da direita também afirmou que, no fim do ano, a Forza Italia - legenda à qual pertence - e a Aliança Nacional se fundirão em um único partido, o Povo da Liberdade (PDL), e que a aliada Liga Norte continuará independente e manterá seus legisladores no Parlamento.

Segundo Berlusconi, seu novo Governo vai ter 60 membros, entre ministros - que serão 12, sendo quatro mulheres -, vice-ministros e subsecretários.

Ontem, ele já havia revelado que o ministro de Assuntos Exteriores será o comissário europeu Franco Frattini, enquanto o subsecretário do Governo vai ser Gianni Letta.

Ainda de acordo com Berlusconi, duas pastas ficarão com a Liga Norte, entre elas a de Interior, que, segundo o político deu a entender, ficará a cargo de Roberto Maroni, número dois desse partido.

Quem também falou hoje em Roma foi o líder do Partido Democrata (PD), Walter Veltroni, que reconheceu que, na derrota sofrida pela centro-esquerda, "pesou o julgamento" dos italianos sobre o Governo de Romano Prodi, o qual fez teria feito a centro-esquerda perder mais de 2,6 milhões de votos.

O líder progressista, cujo partido será o maior da oposição, também anunciou a criação de um "Governo na sombra". EFE JL/sc

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