Berlusconi defende mais poderes ao primeiro-ministro na Constituição

Carmen Postigo. Roma, 29 mar (EFE).- O presidente do novo partido da centro-direita italiana, o Povo da Liberdade (PDL), Silvio Berlusconi, pediu hoje mais força para o primeiro-ministro da Itália, já que, agora, conta com poderes quase inexistentes e, para isso, reivindicou a reforma da Constituição.

EFE |

Berlusconi foi eleito hoje por unanimidade presidente do PDL no terceiro e último dia do congresso constituinte do partido, um encerramento do qual não participou o vice da legenda, o presidente do Congresso dos Deputados, Gianfranco Fini, que acompanhou o discurso de casa, segundo fontes do PDL.

Após a eleição, o primeiro-ministro fez um discurso de 61 minutos nos quais se mostrou otimista frente à crise econômica, destacou a importância das eleições européias e insistiu na necessidade de conceder mais poderes ao chefe de Governo para a governabilidade do Estado.

"O país precisa ser governável, e a experiência recente diz que o papel do primeiro-ministro é fundamental, e hoje ele tem poderes quase inexistentes. O primeiro-ministro não pode nomear e demitir ministros. Só pode organizar o diário do Conselho de Ministros", criticou.

O recém-eleito presidente do PDL afirmou que é necessário mudar a segunda parte da Constituição, "enriquecendo-a, o Governo não pode se deixar guiar. Na Itália, o primeiro-ministro tem poderes fictícios, enquanto no exterior, em todas as grandes democracias, goza de poderes reais".

Silvio Berlusconi se mostrou otimista frente à crise econômica: "Tiraremos a Itália da crise" e isso é a "prioridade e indefectível missão" da nova legenda política.

"A crise se espalhou no mundo por obra de um vírus que veio dos Estados Unidos, que eu chamo gripe americana e que bateu em um corpo saudável, que é nosso país. Ninguém tem a receita segura para combater este vírus", explicou.

O primeiro-ministro disse que seu Governo atuou "com inteligência de modo que o consumo não fosse afetado", e acrescentou que tomou medidas para garantir que os bancos não interrompam o fluxo dos créditos às famílias, além de criar subsídios sociais para os mais desfavorecidos, "o que os Governos de esquerda jamais fizeram".

O objetivo, o futuro do novo partido é realizar a "revolução liberal que servirá para antepor a pessoa ao Estado", disse, para aplausos dos seis mil delegados presentes.

Esta é a diferença em relação à esquerda "que não faz oposição ao Governo, faz oposição ao país", acusou Berlusconi.

O novo presidente do PDL repassou temas como os jovens aos quais prometeu empréstimos "para os que quiserem abrir uma empresa" e a escola e a universidade, com 135 mil estudantes que poderão se beneficiar de bolsas de estudos "verdadeiras".

Ele também dedicou palavras às mulheres, para as quais reconheceu que "há uma disparidade ocupacional e de salários". "Nosso Governo fez sete leis em defesa da mulher, a esquerda zero, sequer uma", afirmou.

Depois, Berlusconi explicou que, após a Segunda Guerra Mundial e o milagre econômico dos anos 60, o PDL guiará "a terceira reconstrução da Itália. Sairemos da crise mais fortes que antes e também da incerteza política".

O premiê italiano ressaltou a importância das eleições européias, nas quais o PDL pode ser o primeiro grupo do Partido Popular Europeu (PPE) e voltou a citar a última pesquisa que concede a esta legenda 44% dos votos, mas previu que alcançará "51%".

"Há muitos italianos que podem se unir a nós para fazer da Itália um país livre e moderno. Não devemos ter medo de pensar em grande estilo. A sociedade que construímos sobreviverá a nossos fundadores", afirmou.

O líder do PDL reivindicou um mérito: "introduzimos em política a verdadeira moralidade do fazer".

"Minha candidatura é uma candidatura de bandeira, atrás da qual um verdadeiro líder convoca seu povo. Seria bom que também o líder da oposição, se é um líder, fizesse o mesmo", acrescentou. EFE cps/db

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