Berlusconi comparece a tribunal e diz não haver provas contra ele no caso Mills

Essa é a primeira vez que o premiê italiano comparece a uma audiência do processo em que é julgado por corrupção de uma testemunha

iG São Paulo |

O chefe de governo italiano, Silvio Berlusconi, compareceu nesta segunda-feira, em plena controvérsia sobre a Justiça italiana, a um tribunal de Milão para a primeira audiência sobre o suborno do renomado advogado britânico David Mills.

Berlusconi, de 74 anos, declarou que o caso Mills, em que é acusado de subornar um advogado para prestar falso testemunho, é o "pior" processo entre os quatro que responde atualmente. Segundo ele, o processo é "paradoxal, ridículo e surreal". "Esse é o pior (processo) de todos porque não há prova nem motivo", argumentou.

AFP
Flores e cartazes são vistos em frente de tribunal de Milão com retratos de três juízes assassinados nos anos 70. Silvio Berlusconi compareceu a essa corte hoje
Para ele, o caso Mills "é só uma ação midiática" que "já está morta", uma vez que prescreve em seis meses. Um recente projeto de lei promovido pela base do governo foi aprovado na Itália, reduzindo os prazos de prescrição dos processos judiciais.

Berlusconi foi recebido por um grupo de defensores da justiça italiana, entre eles o advogado Pietro Palau Giovannetti, presidente do Movimento pela Justiça Robin Hood, o que provocou momentos de tensão.

Essa é a primeira vez que o premiê italiano comparece a uma audiência do processo em que é julgado por corrupção de uma testemunha. Os defensores da justiça exibiam faixas e flores por ocasião da Jornada em Memória das Vítimas do Terrorismo e dos 26 magistrados que perderam a vida em ataques terroristas ou atentados da máfia nos últimos 40 anos.

Diante do Palácio de Justiça foram colocadas fotografias gigantes de juízes assassinados pelo crime organizado. Uma faixa afirmava: "Obrigado aos magistrados e aos policiais que perderam suas vidas para nos proteger das Brigadas Vermelhas e de outros perigos."

Berlusconi voltou a repetir à imprensa que os magistrados são "o câncer" da justiça italiana e os acusou de estimular uma "guerra civil". Ele disse que acusa sobretudo os promotores de usar a justiça para fins políticos, em particular contra sua liderança.

Berlusconi, que aceitou assistir aos vários processos contra ele, compareceu na semana passada a uma audência do caso Mediatrade, no qual é acusado de fraude e abuso de confiança na venda de direitos para a televisão.

No processo desta segunda-feira, a promotoria acusa Berlusconi de ter subornado, com uma transferência de US$ 600 mil dólares efetuada em 1997 pela Fininvest, a holding da família, o advogado David Mills para que prestasse falsos testemunhos em dois julgamentos no fim dos anos 90 contra o magnata.

Berlusconi afirmou não se lembrar de conhecer Mills, porque ele era um dos muitos advogados contratados pelo grupo Fininvest no exterior. Também disse que os US$ 600 mil correspondem ao pagamento efetuado por um armador italiano para evitar o fisco britânico.

Berlusconi também afirmou que seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), pediu uma "comissão de investigação para evidenciar se dentro da magistratura há uma associação com fins para delinquir". Ele tem acusado os procuradores do Tribunal de Milão de mover processos contra ele com fins de perseguição política.

Mills foi condenado em um julgamento separado, em primeira e segunda instâncias, por corrupção em ato judicial a favor de Berlusconi, mas não cumpre pena porque o delito prescreveu.

Berlusconi, que evitou comparecer ante aos juízes por oito anos, também deve apresentar-se pelo caso "Ruby", o mais complicado para ele, no qual é acusado de prostituição de menor.

A próxima audiência do caso Mills será em 16 de maio, na qual serão ouvidas duas testemunhas, entre elas Flavio Briatore, ex-diretor comercial da Fórmula 1 e amigo pessoal do premiê, que recomendou a ele os serviços de Mills.

*Com AFP e Ansa

    Leia tudo sobre: itáliasilvio berlusconicaso rubycorrupçãocaso mills

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG