Berlusconi buscará reformas para deter magistrados na Itália

Em entrevista a canal de TV, marroquina conhecida por Ruby negou relações sexuais com premiê ou mesmo pedido de 5 milhões de euros

iG São Paulo |

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse na quarta-feira que seu governo irá propor reformas legais para evitar que magistrados persigam autoridades eleitas.

O anúncio foi feito no momento em que ele enfrenta uma crescente pressão num caso relacionado à prostituição. "Não há nada do que eu tenha de me envergonhar", afirmou Berlusconi em mensagem transmitida pela televisão. "O governo continuará trabalhando, e o Parlamento fará as reformas necessárias para garantir que os magistrados não sejam capazes de tentar destruir de forma ilegítima alguém que foi eleito pelos cidadãos".

AP
Marroquina conhecida como Ruby, pivô de um escândalo sexual envolvendo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, chora durante gravação de programa de TV na Itália
Berlusconi, que foi convocado pela Justiça para depor no fim de semana, disse que gostaria de se defender no tribunal, mas se recusou a fazê-lo, alegando que os magistrados de Milão não têm o direito de presidir o caso.

Berlusconi tem sido pressionado a renunciar depois que os magistrados o acusaram de pagar por sexo com uma dançarina de 17 anos conhecida como "Ruby, Ladra de Corações".

Programa de TV

Nesta quarta-feira, a jovem marroquina Ruby afirmou que não manteve relações sexuais com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, e que ele nunca encostou "nenhum dedo" nela. Além disso, negou que ele teria pedido 5 milhões de euros por seu silêncio, como revelam escutas telefônicas.

Ruby B., cujo nome é Karima el Mahroug, foi entrevistada nesta quarta-feira em um programa do Canale 5, propriedade de Berlusconi.

Meios de comunicação da mídia italiana não param de divulgar fotografias de jovens e vazamentos de escutas telefônicas a que a Promotoria de Milão teve acesso durante a investigação, entre elas uma em que Ruby confessa ter pedido cinco milhões de euros a Berlusconi.

Durante a entrevista à emissora, Ruby relatou sua infância difícil, em que afirmou ter sido estuprada aos 9 anos por dois de seus tios. Sua mãe, segundo a marroquina, aconselhou-a não contar para seu pai, pois ele poderia matá-la por não ser mais virgem. Logo depois, Ruby foi expulsa de casa e começou a roubar.

A marroquina, que ressaltou não ter mantido relações com o primeiro-ministro, revelou que admira Berlusconi porque nunca encontrou uma pessoa "como ele". Ela contou também que a primeira vez em que foi à sua residência em Arcore, em 14 de fevereiro de 2010, ele a ouviu "melhor" que qualquer psicólogo do mundo e depois deu a ela um envelope com 7 mil euros. Segundo a jovem, ao entregar o dinheiro, Berlusconi disse que ela "era inteligente e que deveria estudar".

*Com Reuters e EFE

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