Roma - O protagonista indiscutível de 2009 na Itália foi o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, com os escândalos sexuais nos quais se viu envolvido e a agressão que sofreu após um comício em Milão, onde um rapaz atirou uma estatueta contra seu rosto, deixando-o hospitalizado por quatro dias.

A agressão - que causou a fratura parcial do nariz e de dois dentes, assim como um profundo corte no lábio - gerou um forte enfrentamento entre os conservadores no poder e a oposição, já que enquanto os primeiros denunciaram o "clima de ódio" existente no país, o dirigente opositor Antonio Di Pietro acusou Berlusconi de ser um "instigador".


Berlusconi o deixar o hospital no dia 17 de dezembro / AFP


Durante os dias em que esteve hospitalizado - de 13 a 17 de dezembro - a troca de críticas não parou, o que obrigou o Chefe do Estado, Giorgio Napolitano, a pedir calma e dar uma atenção especial à falta de coesão existente na política italiana.

Após deixar o hospital, Berlusconi considerou necessário diminuir os tons da política para que sua dor "não seja inútil".

Neste ano, a popularidade e afabilidade de Berlusconi, de 73 anos, custaram caro. Em abril, ele esteve na festa do 18º aniversário de Noemi Letizia, em Nápoles, e posou para fotografias junto com a menina, os pais e amigos.

A então incompreendida e estranha relação de Berlusconi com a jovem Letizia coincidiu com a apresentação como candidatas por seu partido, o Povo da Liberdade (PDL), às eleições europeias de jovens e belas modelos e apresentadoras de TV, uma decisão que explodiu em seu colo.

Sua mulher, Veronica Lario, de 54 anos, pediu imediatamente o divórcio e os meios de comunicação se dedicaram a remexer a vida privada do primeiro-ministro.

Não demoraram a aparecer notícias sobre as grandes festas que organizava em uma de suas mansões, a "Villa Certosa", na Sardenha, com fotografias que mostravam várias jovens em topless, de biquíni em seu iate e até o ex-primeiro-ministro tcheco Mirek Topolanek nu à beira da piscina.

As meninas, levadas pelo empresário Gianpoalo Tarantini para a casa do governante, desfilaram por jornais, revistas e a TV, incluindo a garota de programa Patrizia D'Addario, de 42 anos, que escreveu um livro contando as intimidades de uma noite que passou com Berlusconi em sua casa de Roma.

Os escândalos amorosos explodiram às vésperas das eleições europeias, deixando uma incógnita sobre qual seria a reação dos italianos e dos católicos do partido conservador.

Em 7 de junho, no entanto, o partido de Berlusconi ganhou as europeias com 36% dos votos, contra 26,5% do opositor Partido Democrata (PD), embora não tenha conseguido superar com folga a maioria absoluta como previu o líder.

Pouco depois, Berlusconi teve de lidar com outro golpe, a perda de sua imunidade judicial. O Tribunal Constitucional invalidou a lei de imunidade dos quatro altos funcionários do Estado, conhecida como "Lodo Alfano", aprovada em 2008.

Com esta decisão, o Tribunal Constitucional abria a porta para que se retomassem, pelo menos, dois dos quatro processos contra Berlusconi que permaneciam suspensos.

Um deles é o julgamento pelo suposto pagamento de 580 mil euros ao advogado inglês David Mills para que falsificasse seu depoimento em dois processos realizados em 1997 e 1998 contra o líder, e nos quais ele acabou absolvido.

O segundo processo é relacionado com supostas irregularidades na compra e venda de direitos televisivos de seu grupo de comunicação "Mediaset".

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