LAquila (Itália)/Roma, 8 abr (EFE).- Saqueadores atacaram várias localidades da região de Abruzzo atingidas pelo terremoto da última segunda-feira, o que fez com que o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, ameaçasse enviar o Exército a essas áreas para conter a onda de roubos.

"O ministro (de Defesa Ignazio) La Russa já disse que está pronto para enviar o Exército para combater o fenômeno dos saqueadores", que demonstram "uma falta de valores absoluta", disse o premiê, que visitou a cidade de L'Aquila pelo terceiro dia seguido.

Hoje, a Polícia italiana deteve dois supostos ladrões com 80 mil euros em Onna, localidade próxima a L'Aquila e uma das mais afetadas pelo terremoto.

Estas detenções confirmam um dos principais temores das autoridades italianas após o tremor: o caos decorrente do fenômeno abriria brechas para os saques às casas.

Nesta manhã, a Polícia Nacional italiana anunciou a criação de um comando especial antissaques, composto por 90 agentes que vigiarão as ruas em grupos de cinco, e que acompanharão os bombeiros nos trabalhos de reconhecimentos das regiões afetadas pelo terremoto.

Este comando pretende conter um fenômeno o qual o premiê pretende combater com a introdução de um novo crime que castigue este tipo de atos no Código Penal italiano.

"Registramos, nestes dias, uma forte preocupação por parte da população devido às operações de saque nas casas que ficaram abandonadas", disse o chefe do Governo italiano em entrevista concedida hoje em L'Aquila, capital de Abruzzo e uma das cidades mais afetadas pelo terremoto.

"Por isso, ontem (terça-feira) à tarde, com o ministro (de Justiça, Angelino) Alfano, decidimos criar este novo delito que não sabemos ainda como se tipificará. De qualquer forma, posso anunciar desde agora que as penas serão muito duras".

De acordo com o balanço oficial dado por Berlusconi, 260 pessoas teriam morrido por causa do terremoto, das quais 16 são crianças, e há, além disso, mil feridos (100 em estado grave), assim como cerca de 28 mil indivíduos sem casa.

Os corpos continuam sendo resgatados dos escombros de L'Aquila e, assim, os cadáveres de quatro jovens que morreram foram retirados nesta tarde, dois deles de uma casa destruída, e outros dois - um deles israelense - da Casa do Estudante.

Enquanto isso, os aproximadamente 28 mil deslocados pelo terremoto se preparam para passar a terceira noite fora de casa, à espera de que a terra pare de tremer.

Pouco a pouco, os serviços de Defesa Civil e os voluntários que foram à área do desastre estão transformando os acampamentos em pequenas cidades, com banheiros e refeitórios para evitar que os deslocados fiquem em filas na hora de receber comida.

Dificuldades pequenas, como recarregar o telefone celular ou o fechamento dos caixas eletrônicos para tirar dinheiro e fazer compras na padaria e na farmácia - únicos comércios abertos em L'Aquila- revelam novas necessidades, após o recebimento de primeiros socorros como comida e abrigo.

A organização Cáritas italiana inaugurou hoje um centro de coordenação na paróquia de São Francisco, na capital, para atender aos deslocados tanto dos 18 acampamentos como os que estão nos hotéis de Pescara, Chieti e Termao, com especial atenção aos menores, aos idosos e aos doentes.

A situação de L'Aquila foi muito bem sintetizada por Berlusconi enquanto percorria a praça Duomo: "infelizmente, se transformou em uma cidade fantasma, agora o problema é ver onde e como regular a situação dos que ficaram sem casa e, claro, não podem voltar a viver aqui".

"Como pai, acho que não traria a minha família a uma casa onde me dissessem que, se ocorrer outra réplica sísmica mais forte, estaria em perigo de desabamento", reconheceu. EFE cps/db

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