Bruxelas, 15 out (EFE) - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, ameaçou hoje bloquear o acordo sobre mudança climática ao qual a União Européia (UE) quer chegar até o final do ano.

O sistema de comércio de emissões de dióxido de carbono do bloco (ET, em inglês), com o qual a UE quer reduzir os gases poluentes que são lançados à atmosfera, é "ridículo", de acordo com Berlusconi.

"Estou preparado para vetá-lo e a Polônia estaria conosco", assegurou o primeiro-ministro italiano em entrevista coletiva concedida no final do primeiro dia do Conselho Europeu em Bruxelas.

Em sua opinião, cumprir os objetivos ambientais da UE em 2020 sairia caro às empresas, pois só na Itália custaria 25 bilhões de euros, segundo os dados fornecidos por representantes da indústria em um encontro anterior a esta cúpula.

A UE se comprometeu ao triplo objetivo conhecido como "20-20-20", que consiste em conseguir até 2020 uma redução das emissões de CO2 de 20%, um corte também de 20% no consumo energético e que 20% do consumo energético proceda de fontes renováveis.

"Nestes momentos de crise, não podemos seguir em frente como Dom Quixotes, enquanto países como China e Estados Unidos são contra", resumiu Berlusconi.

A preocupação italiana é compartilhada por países como França, Alemanha e Polônia, assegurou.

O discurso de Berlusconi coloca em questão se a França, país que preside a UE este semestre, conseguirá aprovar as medidas sobre mudança climática e energia até o final do ano, como deve.

Questionado sobre a ameaça italiana, o presidente de turno da UE, o francês Nicolas Sarkozy, disse que conhece bem Berlusconi e que, apesar de inicialmente defender com paixão suas convicções, "no final da conversa (o primeiro-ministro da Itália) sempre faz prevalecer o interesse europeu". EFE mrn/db

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