Berlusconi: 33 garotas em 2 meses é demais até para um homem de 30 anos

Declaração se refere à afirmação da promotoria sobre quantidade de mulheres que premiê italiano recebeu em festas particulares

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O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, definiu como alucinação as acusações da promotoria de que ele incitou a prostituição de menores e se divertiu durante suas festas particulares com 33 prostitutas de luxo em dois meses. O premiê italiano será julgado pelo caso a partir de 6 de abril.

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Berlusconi acena antes de entrevista coletiva em Roma (14/03)
"Não posso crer em um uso da justiça tão bárbaro e distante da realidade. Já tenho quase 75 anos e, apesar de ainda ser 'animado', 33 garotas em dois meses me parece ser demais até mesmo para um homem de 30 anos", disse Berlusconi em uma entrevista incomum concedida ao jornal La Repubblica, um de seus mais firmes opositores.

Para a promotoria, Ruby, a adolescente marroquina Karima El Mahroug, conhecida como "Ruby Rouba-corações", fazia parte do grupo de 33 mulheres que participavam nas controvertidas noitadas de Il Cavaliere em sua mansão particular de Milão e mantinha relações sexuais pagas com o primeiro-ministro quando ainda era menor de idade.

O chefe de governo rejeita as acusações e assegura que as festas, conhecidas como "bunga bunga", eram reuniões elegantes, com alimentos, músicos e garçons. "Jamais paguei a mulheres. É possível alguém pagar préstimos sexuais com depósitos bancários?", disse, ao justificar os comprovantes de pagamentos realizados por meio de seu contador pessoal para as chamadas "papi girls".

"Sou como a Caritas (organização de caridade católica): pago intervenções cirúrgicas, dentistas, impostos universitários. Tenho meios e me sinto feliz por fazê-lo", acrescentou.

Os advogados de defesa de Berlusconi decidiram mudar a estratégia e, em vez de apresentar montanhas de recursos como até bem poucos meses, aceitaram que o famoso acusado, um dos homens mais ricos da Itália, compareça perante os juízes.

"Irei à televisão para explicar tudo, para me defender e defender as meninas, e participarei de todas as audiências dos processos, apesar de não ser algo fácil", afirmou na entrevista. Berlusconi reiterou que interveio ante a delegacia de Milão para que libertassem Ruby, detida por roubo, porque estava convencido de que ela era parente do presidente deposto do Egito Hosni Mubarak e queria evitar tensões com esse país. "O chefe de governo pode intervir em temas administrativos", assegurou.

Berlusconi deverá comparecer em 6 de abril perante o tribunal de Milão que o acusa de prostituição de menores, considerado delito na Itália, e abuso de poder por ter interferido para que a adolescente fosse libertada depois de ter sido presa por furto.

Além desse julgamento, Berlusconi deverá enfrentar no próximo mês outros três processos por corrupção e evasão fiscal. "Não é nada fácil enfrentar quatro processos e ser chefe de governo", afirmou. Em função da situação, a popularidade de Berlusconi continua caindo e chegou a 33% em março, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto IPR.

A quantidade de italianos que desaprovam Berlusconi aumentou dois pontos em apenas um mês e não para de cair, segundo o jornal La Repubblica, que publicou a sondagem. O atual percentual parece estar a milhas de distância da popularidade de 60% que o premiê italiano tinha em 2008, quando voltou ao poder. "Apesar do otimismo que ele manifesta e das maquinações dentro de sua maioria, ele continua perdendo popularidade", escreveu o La Repubblica.

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