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Berlim recebe Prêmio Príncipe de Astúrias como exemplo de paz e liberdade

Oviedo (Espanha), 10 set (EFE).- A cidade de Berlim recebeu hoje o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia 2009, como exemplo de entendimento, convivência, justiça, paz e liberdade para o mundo, em meio às comemorações pelos 20 anos da queda do Muro.

EFE |

O júri, que divulgou sua decisão ao meio-dia local de hoje, em Oviedo, no norte da Espanha, considerou Berlim "um exemplo de concórdia no coração da Alemanha e da Europa".

A cidade de Berlim recebe este prêmio em meio às comemorações pelos 20 anos da queda do Muro, que serão completados no dia 9 de novembro.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Berlim ficou dividida em duas partes e se tornou o símbolo do enfrentamento ideológico entre o Leste e o Oeste.

A construção do muro de Berlim, em 1961, separou ideologias, além de famílias e amigos.

O Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia tem o objetivo de homenagear, segundo o júri, "tanto quem, com a perda de sua vida ou de sua liberdade, lutaram de forma direta por superar o Muro, como os milhões de cidadãos que foram capazes de construir, sobre as cicatrizes da divisão, uma sociedade aberta, acolhedora e criativa".

A cidade prepara agora dezenas de eventos para lembrar o fim da divisão da Alemanha, que incluem eventos culturais que culminarão com a chamada "Festa da Liberdade", em frente ao Portão de Brandemburgo, um dos edifícios mais simbólicos de Berlim.

No dia 13 de agosto de 1961, a República Democrática da Alemanha (RDA, leste) deu início à construção de um muro para isolar o setor ocidental de Berlim e evitar a emigração em massa de cidadãos do leste para a República Federal da Alemanha (RFA, oeste).

E foi em 9 de novembro de 1989, diante da pressão insistente da população, que o Governo da RDA promulgou um plano que autorizava passes livres para viagens de visita. Milhares de cidadãos se amontoaram ao longo do dia nas passagens fronteiriças, exigindo sua abertura. O Muro foi derrubado nessa noite, o que acelerou o desaparecimento dos regimes comunistas na Europa oriental.

"A revolução pacífica que conduziu o 9 de novembro de 1989 à queda do Muro e, posteriormente, à reunificação da Alemanha, cativou, desde então, milhões de pessoas no mundo todo, contribuindo em grande medida para o restabelecimento do equilíbrio entre o Oriente e o Ocidente", lembra o júri, em sua decisão.

Berlim venceu nas votações finais do júri contra as candidaturas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do jesuíta espanhol Enrique Figaredo, conhecido como o "bispo das cadeiras de rodas", por seu trabalho no Camboja com os mutilados pelas minas antipessoa.

O documentarista iraniano-canadense Maziar Bahari também chegou à etapa de votações finais.

Bahari foi detido no dia 21 de junho e, desde então, permaneceu em situação de isolamento, sem acesso a um advogado.

O júri selecionou quatro candidaturas entre 44, de 26 países.

O Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia é concedido a pessoas ou instituições cujo trabalho tenha contribuído de forma exemplar e relevante com o entendimento, com a convivência, com a luta contra a injustiça, a pobreza, a doença, a ignorância ou com a defesa da liberdade, e que tenham aberto novos horizontes ao conhecimento.

O Prêmio da Concórdia foi concedido no ano passado à política colombiana Ingrid Betancourt, que permaneceu seis anos sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Prêmio da Concórdia é o último dos oito Prêmios Príncipe de Astúrias concedidos em 2009, e tem um valor de 50 mil euros.

É tradição que os prêmios sejam entregues em outubro, em cerimônia realizada no Teatro Campoamor de Oviedo, presidida pelo príncipe Felipe, herdeiro da Coroa espanhola. EFE lm/pd

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