Berlim recebe Obama como astro do rock

Por Kerstin Gehmlich BERLIM (Reuters) - Centenas de milhares de fãs receberam na quinta-feira Barack Obama em Berlim como se ele fosse um astro do rock, com alemães se pendurando em postes para ver o candidato no qual votariam se pudessem.

Reuters |

'Ele é um político pop star. A Alemanha não tem nenhum desses', disse o estudante Johannes Ellendorf, que estava entre as mais de 200 mil pessoas que foram ouvi-lo discursar junto à coluna da Vitória, no centro de Berlim.

Obama enfatizou a necessidade de EUA e Europa se unirem e se ouvirem mutuamente -- algo que muitos no país acham que não ocorreu quando Washington iniciou a guerra do Iraque, a despeito das restrições do governo alemão da época.

'Fiquei realmente impressionado com sua mensagem de paz -- que não devemos nos focar apenas em cada conflito individual entre Alemanha e os Estados Unidos, e sim olhar para a nossa responsabilidade comum', disse Matthias Bauschulte, de 40 anos.

Olhando a multidão, Hans-Gerd Stoever reconheceu o mesmo clima de quando, em 1963, o presidente John Kennedy pronunciou o famoso discurso em que dizia ser simbolicamente um cidadão de Berlim -- cidade então dividida pelo Muro.

'As ruas estavam lotadas naquela ocasião, todos cheio de expectativas -- como agora', disse Stoever. 'Mas a situação hoje é completamente diferente. Vivemos num mundo diferente. E Obama tem de trilhar seu próprio caminho', refletiu.

Alguns berlinenses usavam broches com a foto de Obama e a frase famosa dita por Kennedy em 1963 -- 'Ich bin ein Berliner', 'sou um berlinense'.

A campanha de Obama cogitou em realizar o comício sob o Portão de Brandemburgo, marco simbólico da unidade alemã, mas a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel fez saber que não gostava da idéia de ver um local tão importante, na antiga fronteira entre as duas Alemanhas, ser usado para fins eleitorais.

O evento então acabou acontecendo junto à coluna da Vitória, a cerca de um quilômetro do Portão de Brandemburgo.

Esse monumento de 70 metros foi erguido no século 19 para comemorar triunfos militares prussianos.

Em meio à multidão que se espalhava pelo parque adjacente, houve quem subisse nos postes para ouvir o discurso, salpicado de referências ao passado de divisão da cidade entre comunistas e capitalistas. Obama pediu aos alemães que não permitam que novos muros dividam o mundo.

Pesquisa do instituto Pew mostrou que, se a eleição fosse na Alemanha, Obama teria uma vantagem de 49 pontos percentuais sobre o republicano John McCain -- nos EUA, sua vantagem não chega a 10 pontos.

Mas os aplausos no parque Tiergarten foram significativamente mais tímidos quando o candidato pediu à Alemanha que ajude a estabilizar o Afeganistão. 'Os afegãos precisam das nossas tropas e das suas', disse ele.

Muitos alemães são contra o envolvimento das suas forças no Afeganistão como parte de uma missão da Otan. 'Ele tem muita expectativa de que os alemães aumentem o seu envolvimento militar. Isso certamente vai provocar debates na Alemanha', disse Dennis Buchner, de 31 anos.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG