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Berlim celebra o seu Gay Pride

Milhares de pessoas desfilaram em Berlim neste sábado na tradicional Gay Pride, que teve como convidado especial Rudolf Brazda, que aos 95 anos é o último sobrevivente dos Triângulos Rosas, os homossexuais perseguidos pelos nazistas.

AFP |

Sob uma chuva intermitente e ao com da música eletrônica, os participantes caminharam cerca de 6 km da capital alemã, centro da cena gay na Europa.

Os organizadores do desfile, marcado pela luta contra a homofobia, calculavam a participação de cerca de meio milhão de pessoas.

Em Berlim, esse desfile é conhecido como "Christopher Street Day", em referência a essa rua de Nova York, onde em junho de 1969 alguns distúrbios eclodiram entre policiais e homossexuais.

O convidado especial da festa, Rudolf Brazda, participou em um pequeno carro, pintado com as cores de uma associação gay local.

Na sexta-feira, Brazda depositou um ramo de flores no monumento às vítimas gays do nazismo, inaugurado recentemente.

Ele tinha cerca de vinte anos quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha.

Em 1934 vivia junto com seu namorado quando ele foi condenado a seis meses de prisão no âmbito de uma lei que proibia "fornicação" entre homens.

Expulsos pelos nazistas para a Tchecoslováquia, trabalhou em uma empresa e em um teatro até que em 1938 voltou a ser preso e deportado para Buchenwald, em 1941.

Nesse local, foi obrigado a usar o "Triângulo Rosa", uma marca de homossexuais, e submetido a trabalho forçado.

Uma vez liberado o acampamento, em 1945, mudou-se para França com o seu novo amor, com quem viveu mais de 50 anos.

"Após a guerra, eu tive uma vida muito feliz. Já não era obrigado a me esconder, como antes, quando era considerado anormal", disse na sexta-feira.

Mais de 50.000 homossexuais foram condenados durante o regime de Adolf Hitler devido a um código penal revogado em 1969.

Segundo as estimativas, entre 5.000 e 15.000 homossexuais foram deportados para campos de concentração, onde mais de metade morreu por exaustão e maus tratos.

ab/fb

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