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Bento XVI vai a mesquita e critica corrupção da religião à violência

Juan Lara. Amã, 9 mai (EFE).- O papa Bento XVI pisou hoje pela segunda vez em uma mesquita, viu a Terra Prometida do Monte Nebo, como Moisés, e denunciou que as religiões podem se corromper e ficam desfiguradas quando servem à ignorância e ao preconceito, ao desprezo, à violência e ao abuso.

EFE |

Em seu segundo dia de estadia na Jordânia, o papa também denunciou aos líderes religiosos muçulmanos que a manipulação ideológica da religião, "muitas vezes por objetivos políticos, é o catalisador real das tensões e das divisões, e, frequentemente, da violência na sociedade".

O papa fez estas declarações no discurso que pronunciou após visitar a Mesquita al-Hussein bin-Talal de Amã, que percorreu sem tirar os sapatos, como é obrigatório, já que as autoridades religiosas colocaram esteiras para que os visitantes não tivessem que fazer isso, disse o porta-voz vaticano, Federico Lombardi.

Lombardi afirmou que Bento XVI estava disposto a tirar os sapatos e que não rezou no templo, mas manteve um recolhimento, por respeito aos muçulmanos.

O papa foi recebido na mesquita pelo príncipe Ghazi Bin Talal, primo do rei da Jordânia e promotor da carta que, em outubro de 2007, foi enviada a Bento XVI por 138 sábios muçulmanos, na qual afirmaram que o futuro do mundo depende da paz entre muçulmanos e cristãos.

Bento XVI expressou sua "preocupação" com o fato de que, atualmente, muitos consideram que a religião "fracassou" como construtora da unidade e da harmonia, acusada de ser causa de divisão no mundo.

O pontífice disse que não se pode negar as tensões e divisões entre os fiéis das religiões, mas que também, muitas vezes, a manipulação por motivos políticos da religião é a causa real dessa violência.

Ghazi Bin Talal considerou a visita de Bento XVI à mesquita como um gesto de respeito recíproco entre as duas maiores religiões do planeta, às quais pertencem, no total, 55% dos habitantes.

Ressaltou que esta era a terceira vez que um papa pisava em uma mesquita - João Paulo II fez o mesmo em 2001, em Damasco, assim como o próprio Bento XVI em 2006, em Istambul - e agradeceu o sentimento de pesar expressado pelo papa após o episódio de Regensburg.

As relações entre o Vaticano e o mundo muçulmano passaram em 2006 por um momento difícil, depois que Bento XVI pronunciou na Universidade de Regensburg (Alemanha) uma aula magistral na qual falava de Maomé, considerada "ofensiva" pelos muçulmanos e que levantou a ira dos seguidores do profeta.

O papa citou uma conversa entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo e um erudito persa, na qual o líder dizia que "Maomé não tinha trazido nada inovador, exceto a ordem de estender a fé pela espada".

O príncipe Ghazi disse que aquelas palavras "doeram" e "feriram" os muçulmanos, mas que estimaram os esclarecimentos do Vaticano de que era uma citação, e não representava o pensamento do papa.

"O profeta é completamente diferente da descrição histórica que foi feita sobre ele no Ocidente", afirmou.

Ghazi Bin Talal acrescentou que a descrição "distorcida" foi feita por quem não conhece o árabe, o Corão ou não entende o contexto histórico e cultural da vida de Maomé, "e, portanto, entendem mal suas palavras e são os responsáveis por grande parte da tensão histórica e cultural entre cristãos e muçulmanos".

Bin Talal elogiou "a coragem moral" do papa para falar de temas "de acordo com sua consciência, sem levar em conta o que estiver na moda". Também disse que é um teólogo de "absoluto valor, paladino da caridade e da esperança, que facilitou a missa em latim e promoveu o diálogo interreligioso".

Durante o encontro, o papa pediu à comunidade internacional novos "esforços" para promover a paz e a reconciliação no Iraque.

O dia do papa começou no Monte Nebo, a 35 quilômetros de Amã, onde, segundo o livro do Deuteronômio, Deus permitiu a Moisés ver a terra prometida, mas não pôde entrar, já que morreu antes.

Depois, Bento XVI foi a Mabada, onde abençoou a primeira pedra da universidade católica e disse que a fé em Deus não suprime a busca pela verdade, mas, pelo contrário, a encoraja.

O papa ressaltou os benefícios da ciência, mas acrescentou que esta "tem seus limites, não pode dar resposta a todas as questões sobre o homem e sua existência". EFE JL/an

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