Bento XVI tenta superar polêmicas sobre Holocausto e Pio XII

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 7 mai (EFE).- O papa viaja à Terra Santa em meio à polêmica envolvendo a negação do Holocausto por parte de um bispo e a exposição de uma imagem de Pio XII no Museu do Holocausto em que o ex-pontífice é acusado de se calar frente ao genocídio nazista.

EFE |

O pontífice começará a peregrinação amanhã com uma estadia de três dias na Jordânia, e no dia 11 seguirá para Israel e aos territórios palestinos, a fase mais delicada da viagem, por razões políticas e religiosas.

Bento XVI, que já visitou a Terra Santa em 1964, quando era sacerdote, e em 1992 e 1994 como cardeal, deseja "vivamente" peregrinar pelo local como papa. Será o terceiro pontífice da história a fazer isso, depois de Paulo VI, em 1964, e João Paulo II, em 2000.

O bispo de Roma volta à região em meio a complicadas negociações do processo de paz entre israelenses e palestinos e sem que se tenham resolvido os problemas entre Israel e a Santa Sé no "Acordo Econômico", que deve estabelecer os direitos e os deveres das comunidades católicas em Israel sobre impostos e propriedades.

Mas a peregrinação, segundo definição do Vaticano, está precedida pelo escândalo suscitado pelo bispo tradicionalista Richard Williamson e as duras críticas de Israel à Santa Sé por esta participar da recente cúpula da ONU sobre racismo, na qual o presidente do Irã acusou o Estado judeu de "racista".

Williamson, um dos quatro bispos que teve sua excomunhão suspensa por Bento XVI em janeiro último, negou, coincidindo com o gesto papal, as câmaras de gás e disse que só 300 mil judeus e não seis milhões morreram nos campos de concentração nazistas.

Suas declarações puseram em pé de guerra a comunidade judaica internacional e desencadearam uma onda de críticas ao Vaticano e ao papa, algumas oriundas de destacados dirigentes europeus, como a chanceler alemã, Angela Merkel.

O Grande Rabinato de Israel rompeu relações com o Vaticano.

Rabinos denunciaram que com Bento XVI a Igreja está cancelando 50 anos de diálogo iniciado por meio do Concílio Vaticano II.

Bento XVI se viu obrigado a condenar mais uma vez o Holocausto. A comunidade judaica agradeceu suas palavras e a polêmica acabou superada em parte.

Mas semanas depois outra tempestade começou, evidenciando como, apesar das boas palavras, o receio subsiste nas relações entre ambos os Estados: Israel criticou duramente o fato de a Santa Sé comparecer à cúpula da ONU sobre racismo em Genebra, e também de seu representante não abandonar a sala de reuniões quando o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, chamou Israel de "racista".

Novamente o Vaticano teve de se defender, assinalando que a conferência era uma ocasião para a "luta contra o racismo e a intolerância". A Santa Sé criticou ainda as palavras de Ahmadinejad, considerando-as "inaceitáveis e extremistas".

Ao que tudo indica, essa polêmica também foi superada. Mas algo ainda incomoda o Vaticano: as críticas de judeus ao papa Pio XII, que liderou a Igreja Católica durante o nazismo.

Pio XII é acusado de ter sido anti-semita e de não ter elevado a voz com mais força contra Hitler, algo que foi sempre negado pelo Vaticano.

No Memorial do Holocausto de Jerusalém há uma fotografia de Pio XII com uma polêmica epígrafe na qual o ex-pontífice é acusado de ter se calado enquanto milhões de judeus eram conduzidos aos campos de extermínio.

Líderes religiosos católicos pediram ao papa que não viajasse a Israel até que o Estado judeu tirasse essa foto, algo que não aconteceu até agora.

No final, os organizadores da viagem papal chegaram a um meio termo: Bento XVI visitará o memorial, mas não a sala que abriga a imagem e a epígrafe dedicadas a Pio XII.

Israel e Vaticano estabeleceram relações diplomáticas em 1993.

EFE JL/fr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG