Bento XVI seduz os fiéis americanos em sua primeira missa nos EUA

O Papa Bento XVI foi recebido nesta quinta-feira com entusiasmo por uma multidão de 48.000 católicos americanos que o acolheram no Nationals Park Stadium de Washington onde celebrou a primeira missa pública da viagem aos Estados Unidos.

AFP |

A chegada do papa no estádio habitualmente dedicado ao beisebol provocou vivas dignos de uma partida esportiva e a onda exaltação se espalhava à medida que passava o papamóvel no qual estava.

"Caros irmãos e irmãs, estou feliz de estar com vocês hoje", disse.

Bento XVI, que festejou ontem o 81º aniversário, demonstrava, ao chegar, o cansaço da viagem, a primeira aos Estados Unidos e a oitava fora da Itália desde o início de seu pontificado há três anos.

No entanto, ao final da missa, parecia revigorado pelo clima caloroso da celebração e pelos cânticos religiosos.

"Estou muito impressionado por Bento XVI", confiou um fiel, Tom Lynch, à AFP. "Amo a Igreja, amo o meu país e vir aqui é uma oportunidade para me manifestar", acrescentou.

Durante a homilia, Bento XVI evocou uma nova vez o escândalo dos padres pedófilos, destacando o "sofrimento" provocado na Igreja católica americana pelos "abusos sexuais" cometidos por padres, revelados desde 2002.

E assinalou: "nenhuma palavra minha poderá descrever a dor e o dano infligidos por esse abuso".

Contudo, a Igreja está corrigindo suas ações, insistiu Bento XVI ao encarar "honesta e justamente essa situação trágica e para assegurar que as crianças possam crescer em um ambiente seguro".

A Igreja Católica os Estados Unidos sofreu sua pior crise em 2002, quando o arcebispo de Boston confessou ter protegido um padre que havia abusado de jovens membros da sua paróquia, abrindo as portas para milhares de denúncias de casos similares nas décadas anteriores.

Sob um brilhante sol de primavera, o papa pediu um novo espírito na evangelização entre os fiéis para responder à "crescente cultura secular e materialista" nos Estados Unidos.

Entretanto, essas situações não impediram que o papa fosse admirado pelos fiéis.

"Nós acompanhamos todos os temas controversos. Só acho que é fabuloso estar aqui", disse Carolyn Hod, estudante de 17 anos de Potomac.

Sua amiga, Jenna Hartin, afirmou que a missa era "uma oportunidade que se tem uma vez na vida".

Na missa, o Papa, de 81 anos, indicou que os católicos dos Estados Unidos e do restante do mundo devem reforçar sua própria fé e buscar novos convertidos para responder aos "sinais de alienação, fúria e polarização" da sociedade.

"Os desafios que enfrentamos requerem uma instrução integral e sólida nas verdades da fé", indicou, lamentando o aumento da violência, a perda da moral e "um crescente esquecimento de Deus".

A mensagem do papa de fé universal foi destacada pela presença na missa de um sikh com turbante, sentado próximo de um grupo de judeus que usavam trajes religiosos.

"Todos nós na missa temos que refletir sobre a amplitude desta família", disse no início da celebração o arcebispo de Washington, Donald Wuerl.

Crianças com suas famílias, seminaristas, jovens e pessoas vindas de todos os Estados Unidos chegaram ao enorme estádio.

Muitos até compravam suvenires da visita do papa.

O coronel Gary Studniewski, capelão do Exército americano, indicou que foi a missa orar pelos homens e mulheres combatentes no Iraque, Afeganistão e outros lugares pelo mundo.

"Não puderam estar aqui mas eu posso rezar por eles",indicou. "Agradecemos ao Santo Padre por divulgar uma mensagem de paz".

Na quarta-feira, na primeira visita papal à Casa Branca em três décadas, Bento XVI pediu que Bush preferisse a diplomacia à guerra, como forma de resolver os conflitos.

Contudo, o papa não mencionou a guerra do Iraque, um ponto em que a administração Bush e o Vaticano mantêm discrepâncias.

Na tarde desta quinta-feira, o papa deve se reunir com representantes da comunidade judaica após um encontro inter-religioso no centro cultural João Paulo II em Washington, para um dia depois visitar uma sinagoga em Nova York.

Esses encontros são vistos como um exercício de relações públicas.

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