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Bento XVI sai em peregrinação à Terra Santa de 8 a 15 de maio

Nove anos depois de João Paulo II, o Papa Bento XVI inicia sua viagem à Terra Santa para pedir a paz e a reconciliação no Oriente Médio, numa visita considerada de risco, devido às relações historicamente delicadas entre judeus e católicos.

AFP |

Bento XVI definiu a viagem como uma "peregrinacão" durante a qual ele rezará pela "unidade e pela paz" na região. O Papa pretende "falar de reconciliação em uma terra crucial para o diálogo entre as grandes religiões e de paz no mundo", lembrou o "porta-voz", padre Federico Lombardi, em entrevista à TV do Vaticano.

Mas se Israel conta com esta visita para melhorar sua imagem comprometida pela recente ofensiva contra o Hamas em Gaza, que deixou mais de 1.300 mortos palestinos entre 27 de dezembro e 18 de janeiro, pontos de tensão não faltam entre os dois Estados.

Israel não gostou da decisão do papa de suspender a excomunhão do bispo fundamentalista e negacionista Richard Williamson no final de janeiro e se opõe à vontade de Bento XVI de beatificar Pio XII, culpado, segundo o Estado hebreu, de ter se mantido em silêncio durante a Shoah, o Holocausto.

Mais recentemente, a participação do Vaticano na conferência de Durban II, boicotada por Israel, também irritou o mundo judaico.

Segundo o Conselho representativo das instituições judaicas da França (Crif), "esperamos dele palavras fortes expressando o desejo da Igreja de manter o diálogo judeu-católico comprometido com um progresso irreversível" relacionado ao Concílio Vaticano II, indicou à AFP um de seus representantes.

Já a Igreja lamenta as difíceis condições de vida dos cristãos - na maioria árabes - que representam 2% dos sete milhões de habitantes de Israel. Estes os empurram para uma emigração, despertando temores relativos ao desaparecimento da presença católica nesta região carregada de simbolismo.

O Vaticano quer, com isso, ter livre acesso aos lugares santos e a possibilidade de realizar suas atividades pastorais na Terra Santa sem limitações nem impedimentos, temas mantidos em suspenso desde o estabelecimento de relações diplomáticas, em dezembro de 1993.

A chegada ao poder de Benjamin Netanyahu, no dia 31 de março, parece também tornar mais difícil a solução para o conflito entre israelenses e palestinos.

Bento XVI deverá ter a oportunidade de abordar todos esses temas durante os 30 eventos previstos que fazem parte de um programa atribulado para um homem que acabou de completar 82 anos.

Ele seguirá os passos de João Paulo II (2000) visitando os locais simbólicos do Velho e do Novo testamento que são o Monte Nebo onde, segundo a Bíblia, Deus teria mostrado a terra prometida a Moisés; Jerusalém, Belém e Nazaré. O Papa celebrará quatro missas públicas em Amã, no dia de 10 maio, em Jerusalém no dia 12, em Belém no dia 13 e em Nazaré, no dia 14.

O aspecto humanitário estará particularmente presente com visitas ao centro Regina Pacis de Amã, ao Caritas Baby Hospital e a um campo de refugiados em Belém. Em Belém terá também a oportunidade de falar diretamente aos palestinos.

"A viagem de Bento XVI é semelhante à de João Paulo II", com isso, ele quer "preservar e aprofundar a herança, inclusive no que diz respeito ao diálogo com o judaísmo", afirmou Norbert J. Hofmann, secretário da Comissão para as Relações com o Judaísmo, do L'Osservatore Romano.

Os contatos com os muçulmanos ocuparão um lugar mais importante do que em 2000, principalmente na Jordânia, onde Bento XVI permanecerá por mais tempo que seu antecessor. Em Jerusalém, ele será o primeiro papa a visitar o Domo da Rocha, terceiro lugar sagrado do Islã.

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