Sydney (Austrália), 18 jul (EFE).- O papa Bento XVI assegurou hoje que a religião não deve ser um motivo de divisão, mas de união para encontrar o caminho da paz, durante um encontro com fiéis de outras religiões realizado na cidade de Sydney, onde participa da Jornada Mundial da Juventude.

Acompanhado de seu secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e do cardeal australiano, George Pell, o líder católico se reuniu com os dirigentes de outras religiões presentes na Austrália, entre elas a judaica, a islâmica, a hindu e a budista.

O papa afirmou que não se deve ver a religião como "uma causa de divisão, mas como um motivo de união".

"Em um mundo ameaçado por sinistras e indiscriminadas formas de violência, a voz unificada das pessoas religiosas insta as nações e comunidades a resolver os conflitos por meios pacíficos e com um completo respeito à dignidade humana", declarou.

"As relações humanas não podem ser definidas em termos de poder, dominação e interesses egoístas. Refletem e devem aperfeiçoar a inclinação natural a viver em comunhão de acordo com os demais", afirmou.

Também falou aos membros das outras religiões sobre a necessidade de preservar o meio ambiente, assunto que se transformou em um dos principais da estadia de Bento XVI em Sydney.

"Homens e mulheres estão convocados a olhar o meio ambiente como uma maravilha que há de ser considerada e respeitada, ao invés de vê-lo como uma matéria-prima para o simples consumo", assegurou.

Segundo o papa, "cabe às pessoas religiosas demonstrar que é possível encontrar alegria em viver de forma simples e humilde, compartilhando generosamente o excedente de cada um com os que estão necessitados".

Anteriormente, Bento XVI mantivera uma reunião ecumênica com 11 representantes de distintas correntes do cristianismo, dentre as quais a anglicana, metodista e luterana.

O papa destacou que o "movimento ecumênico está em um momento crítico", e acrescentou que "quanto mais se luta por um aprofundamento dos mistérios divinos, mais eloqüentes serão os trabalhos caridosos em favor da bondade de Deus e o amor para todos".

O papa, que não especificou os pontos nos quais a doutrina deve ser flexível, nem qual dos diferentes braços do cristianismo deve ceder, disse que o comum denominador para todas elas é o "batismo".

No entanto, assinalou que esse sacramento "não é o destino final" e que "o caminho do ecumenismo deve levar rumo a uma realização comum da eucaristia".

"Como cidadãos da casa de Deus, os cristãos devemos trabalhar juntos para assegurar que o edifício se mantém firme para que outros entrem atraídos e descubram os abundantes tesouros da graça que há no interior", declarou.

Com o encontro inter-religioso e a reunião ecumênica, Bento XVI começou seu segundo dia de estadia em Sydney, onde hoje realizará um almoço com jovens cristãos e participará de uma Via-Sacra. EFE alg/gs

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