O Papa Bento XVI presidiu nesta sexta-feira à noite, no Coliseu de Roma, a tradicional Via-Crúcis, que recorda o calvário de Jesus Cristo até a crucificação e que este ano será dedicada à violência, aos sequestros, à corrupção e aos conflitos no mundo e, mais especificamente, aos católicos da Índia.

No fim da procissão, enlutada pelo mortífero terremoto de L'Aquila, o Papa afirmou rezar "com todos os que sofrem" na região dos Abruzzos, "para que, mesmo para eles, apareça a estrela da esperança e a luz do Senhor ressuscitado".

Mais cedo nesta sexta-feira, ele disse se unir "ao luto dos que choram", em mensagem lida durante os funerais das vítimas do terremoto.

Como no ano passado, Bento XVI, que completará 82 anos no dia 16 de abril, acompanhou a procissão na colina do Palatino, diante do Coliseu.

No fim da cerimônia, que começou às 21h15 (16h15 de Brasília), o Papa pegou a cruz de madeira, símbolo da morte de Cristo, carregada do Coliseu à colina do Palatino. No Coliseu, reza a lenda, cristãos foram atirados aos leões durante os primeiros séculos da História.

"O rosto (do Cristo crucificado) se reflete no de qualquer pessoa humilhada e ofendida, doente, abandonada e desprezada", declarou o Papa durante a cerimônia, acompanhada por centenas de italianos carregando velas acesas e transmitida por vários canais de TV em todo o mundo.

O Sumo Pontífice também homenageou os que, "no silêncio de sua existência cotidiana, unem seu sofrimento ao do Crucificado e se tornam os apóstolos de uma verdeira renovação espiritual e social".

Poucas semanas antes da viagem de Bento XVI a Israel e à Jordânia, a cruz foi carregada por dois religiosos da "Terra Santa".

A escritura das meditações lidas a cada uma das 14 estações do martírio de Jesus foi entregue pelo Papa ao arcebispo indiano de Guwahati, Thomas Menamparampil, que preside o conjunto das conferências espiscopais católicas da Ásia.

O religioso quis emitir um "hino à esperança". "Quando uma calamidade nos torna suas vítimas, a confiança em nós fica abalada, e nossa fé é questionada. Mas tudo não está perdido", declarou.

O arcebispo indiano também se referiu à "incrível violência que assola o mundo", citando "os assassinatos, a violência contra as mulheres, os sequestros, os conflitos étnicos, a violência urbana, a tortura física e mental e as violações dos direitos humanos". Ele também denunciou "os ataques aos cristãos", depois de milhares de católicos terem sido alvo de atos de violência no estado de Orissa, na Índia, em 2008.

Foi em 1964, um ano depois de sua eleição, que o Papa Paulo VI resgatou a tradição da Via-Crúcis no Coliseu, inaugurada em 1750. Desde 1985, o Papa escolhe as personalidades que redigem as meditações, tradicionalmente procedentes de uma região onde a Igreja é perseguida.

No sábado à noite, o Papa regressará à basílica de São Pedro, no Vaticano, para a vigília pascal antes da missa de Páscoa de domingo e a tradicional bênção "urbi et orbi".

A Páscoa é a festa mais importante do Cristianismo. Segundo a tradição católica, celebra a morte na cruz e a ressurreição de Cristo, filho de Deus de volta à Terra.

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