Bento XVI pede união dos líderes religiosos contra a violência

Antonio Lafuente Sydney (Austrália), 18 jul (EFE).- O papa Bento XVI pediu hoje que os líderes religiosos de várias confissões do mundo se unam para encontrar o caminho da paz e lutar contra sinistras e indiscriminadas formas de violência.

EFE |

Esse pedido contra a violência, junto com uma advertência aos jovens sobre os "deuses falsos" da avareza, do sexo e do poder, foram as principais chamadas de hoje feitas pelo papa durante seu segundo dia na 23ª Jornada Mundial da Juventude, marcado por reuniões e atos religiosos.

Uma dessas reuniões foi um encontro com os responsáveis de outras religiões presentes na Austrália, entre eles o judaísmo, o islamismo, o hinduísmo e o budismo.

O papa lhes disse que não se deve ver a religião como "uma causa de divisão, mas como um motivo de união".

"Em um mundo ameaçado por sinistras e indiscriminadas formas de violência, a voz unificada das pessoas religiosas pede às nações e comunidades para resolver os conflitos por meios pacíficos e com um completo respeito à dignidade humana", disse.

Bento XVI acrescentou que "as relações humanas não podem ser definidas em termos de poder, dominação e interesses egoístas".

O líder religioso muçulmano, Mohammed Abdul Salim, presente na reunião, disse que, contra o "fundamentalismo religioso" proposto por algumas interpretações das religiões, deve se opor "o fundamentalismo do amor".

Outra reunião do dia do pontífice foi com um grupo de jovens deficientes físicos, aos quais explicou que, "qualquer que seja o nome e a forma que quisermos dar-lhes, os 'deuses' falsos estão associados com três tipos de coisas: as posses materiais, o amor egoísta e o poder".

Em seguida, indicou em detalhe o que significava cada um desses conceitos e, assim, disse que "as posses materiais em si são boas".

"Não sobreviveríamos sem dinheiro, roupas ou casa", disse o papa, mas diferenciou essas necessidades da "avareza".

"Se rejeitamos compartilhar o que temos com os famintos e os pobres, então transformamos nossas posses em um deus falso", declarou.

Explicou que "o amor é obviamente algo bom", mas disse que "é fácil se ver decepcionado pelas vozes que na sociedade defendem uma aproximação permissiva do sexo, sem considerar o respeito dos valores morais que dão qualidade às relações humanas".

Sobre o poder, Bento XVI comentou que também é "bom" quando nos permite moldar o mundo a nosso ao redor, mas não se for obtido em "interesse próprio, para dominar os outros ou para explorar os recursos do meio ambiente para seus próprios interesses".

Bento XVI também se reuniu com representantes das diversas correntes do cristianismo, entre elas os anglicanos, os metodistas, os luteranos e os ortodoxos indianos.

O pontífice lhes disse que o ecumenismo passa por "um momento crítico", e que deviam estar "em guarda contra a tentação de ver a doutrina como uma questão de divisão" entre eles, mas não precisou em que pontos é preciso ser flexível, nem que corrente cristã deve ceder.

Depois, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, observou, por exemplo, que a recente decisão dos anglicanos de permitir o sacerdócio das mulheres e sua proclamação como bispas é um obstáculo à unidade dos credos cristãos.

No entanto, há divergências dentro da própria religião católica.

O movimento We Are Church (Nós Somos Igreja) lamentou essa posição dos anglicanos, enquanto hoje um grupo de católicos fez uma manifestação junto à catedral de Sydney para reivindicar que as mulheres também possam chegar ao sacerdócio.

O pontífice almoçou depois com doze jovens de todo o mundo. Em seguida, Bento XVI participou em uma espetacular via-sacra que percorreu diferentes lugares da cidade de Sydney e na qual as mulheres aborígines choraram por Jesus de Nazaré.

Ao sair da catedral para abrir a primeira estação, três pessoas tentaram abordar o papa com um cartaz contra os abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica, mas foram detidos pela Polícia.

Antes de chegar à Austrália, Bento XVI disse que queria reconciliar a Igreja Católica com as vítimas desses abusos na Austrália, assim como fez quando esteve nos Estados Unidos. Mas, por enquanto, não realizou nenhum pedido de perdão. EFE alg/an

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