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Bento XVI pede uma nova reflexão sobre a laicidade na França

O Papa Bento XVI pregou uma nova reflexão sobre o verdadeiro sentido e sobre a importância da laicidade nesta sexta-feira no primeiro discurso de sua visita de quatro dias à França, pronunciado no palácio do Eliseu diante do presidente Nicolas Sarkozy.

AFP |

O Papa também destacou o papal "civilizador" desempenhado na França pela Igreja.

Bento XVI, que discursou depois de Nicolas Sarkozy, voltou assim a falar sobre o conceito de "laicidade positiva" defendido pelo presidente francês durante seu primeiro encontro com o Pontífice no fim de 2007 em Roma.

"Neste momento histórico em que as culturas se entrecruzam, uma nova reflexão sobre o verdadeiro sentido e a importância da laicidade voltou a se tornar necessária", lembrou o Papa.

Bento XVI considerou "fundamental insistir sobre a distinção entre política e religião para garantir tanto a liberdade religiosa dos cidadãos quanto a responsabilidade do Estado para com eles".

Mas destacou a "função insubstituível da religião para a formação de consciências e da contribuição que ela pode dar, com outras instâncias, à criação de um consenso ético fundamental na sociedade".

"Assumimos nossas raízes cristãs", afirmou mais cedo Sarkozy, antes de declarar que se privar das relações "seria uma loucura", "um erro contra a cultura e contra o pensamento".

"É legítimo para a democracia e respeitoso com o laicismo dialogar com as religiões. As religiões e, sobretudo, a religião cristã, com a qual compartilhamos uma longa história, são patrimônios vivos de reflexão", disse Sarkozy.

"O laicismo positivo, o laicismo aberto, é um convite ao diálogo", insistiu o presidente francês".

O Papa também denunciou "os limites de um comunitarismo religioso", que visa em particular, segundo ele, "os jovens, sua preocupação maior".

"A Igreja na França goza atualmente de um regime de liberdade. A desconfiança do passado está sendo transformada aos poucos em um diálogo sereno e positivo, que está se consolidando cada vez mais", afirmou Bento XVI.

O Papa iniciou nesta sexta-feira em Paris uma visita à França de quatro dias, muito densa.

Ele deve pronunciar nesta sexta-feira um discurso muito esperado a 700 representantes do mundo da cultura no Collège des Bernardins. Este primeiro dia terminará com uma celebração na Notre-Dame, seguida de uma mensagem dirigida aos jovens.

Antes de chegar à França, no avião que o levou até Paris, Bento XVI teve o cuidado de distinguir política e religião: "a fé não é política e a política não é uma religião", declarou aos jornalistas que o acompanham.

ema/lm/fp

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