Bento XVI pede paz para a África em missa para multidão em Luanda

O Papa Bento XVI lançou neste domingo uma mensagem de paz e reconciliação para a África na missa celebrada ao ar livre para uma multidão em Luanda, capital de Angola, onde lembrou ainda o males que afligem o continente negro como as guerras e lamentou a morte de duas pessoas no sábado durante um encontro com os jovens.

AFP |

O Sumo Pontífice concluiu a missa para pelo menos um milhão de pessoas na imensa esplanada de Cimangola de Luanda, diante do Oceano Atlântico, com um emocionado apelo à paz.

"Peço às mulheres e homens de todo o mundo que voltem seus olhares para a África, um continente que almeja justiça, paz, um desenvolvimento integral que garanta um futuro a seus povos em paz e progresso", pediu o Papa no último ato público de sua viagem de sete dias a Camarões e Angola.

Em um dos países mais pobres do mundo, que foi devastado por 27 anos de guerra civil (1975-2002), mas que nos os últimos anos registrou um crescimento econômico notável, Bento XVI fez um chamado de esperança aos africanos e pediu que se levantem e deixem para trás os males do passado para construir um futuro melhor.

"África, levanta-te! Olha para o futuro com esperança, confia nas promessas de Deus, em sua verdade. Deste modo construirão algo destinado a perdurar e deixarão às gerações futuras uma herança duradoura de reconciliação, justiça e paz", clamou o Papa.

Diante de africanos de todas as etnias e tribos do sul do continente negro, incluindo bispos da África do Sul, Botsuana, Suazilândia, Lesoto, Moçambique, Namíbia e Zimbábue, o pontífice pediu o fim do conflito na região dos Grandes Lagos, em uma referência às guerras no Burundi, Ruanda, Uganda e na República Democrática do Congo.

"É realmente verdade que a guerra pode destruir tudo aquilo que tem valor: famílias, comunidades inteiras, o fruto da fadiga do homem, as esperanças que guiam a vida", afirmou Bento XVI em português.

"Tragicamemte, as nuvens do mal ensombreceram também a África, incluindo Angola. Penso na guerra, nos ferozes frutos do tribalismo, nas rivalidades étnicas, na cobiça que corrompe o coração do homem e reduz a escravos os homens e priva as gerações futuras dos recursos que precisam para criar uma sociedade mais solidária e justa", disse.

"Peço desde Angola, desde a África, e abraço todo o mundo", implorou ao fim da missa, durante a qual não foi interrompido nem aplaudido como acontece na praça de São Pedro do Vaticano.

Quase um milhão de pessoas, segundo a polícia, assistiram à missa. A agência estatal Angop calculou quase três milhões. Os africanos se reuniram desde a madrugada na esplanada para aguardar o Sumo Pontífice.

Antes da missa, o Papa manifestou sua dor pela morte de duas adolescentes no sábado em uma correria na frente do estádio da capital angolana em que se reuniu com os jovens.

Quase 40 pessoas ficaram feridas na confusão.

kv/fp

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