Bento XVI pede a cristãos para que não abandonem o O.Médio

Juan Lara. Amã, 8 mai (EFE).- O papa Bento XVI pisou hoje na Terra Santa pela primeira vez como papa, onde defendeu uma paz duradoura e uma verdadeira justiça para todos que vivem no Oriente Médio e pediu aos cristãos para que, apesar das dificuldades que vivem, não abandonem a região, pois são indispensáveis para a paz.

EFE |

"Ao contrário dos peregrinos de antigamente, eu não trago presentes ou dons. Venho simplesmente com uma intenção: rezar pela unidade e pela paz para o Oriente Médio", disse o pontífice ao visitar um centro de reabilitação para deficientes em Amã.

Após ser recebido no aeroporto da capital jordaniana pelo rei Abdullah II da Jordânia e por sua esposa, a rainha Raina, o papa pediu "paz para Jerusalém, para a Terra Santa, para a região, uma paz duradoura baseada na justiça, na integridade e na compaixão que surge do perdão e do profundo desejo de viver em harmonia".

A palavra "paz" foi a mais vezes dita por Bento XVI neste primeiro dia de viagem de oito dias pela Terra Santa e falou sobre a visita com os jornalistas que o acompanhavam no avião que o conduziu de Roma a Amã, aos quais disse esperar que esta peregrinação contribua para o processo de paz no Oriente Médio.

Segundo o papa, a Igreja "não é um poder político, mas uma força espiritual".

Para o pontífice, é possível contribuir ao processo por meio de orações ("Deus escuta e milhões de pessoas rezando são uma grande força"), ajudando a formar a consciência "para que o processo não se veja impedido por interesses particulares" e por meio da razão, "que ajuda a entender tudo o que contribui para a paz".

Ao chegar a Amã, no discurso que pronunciou perante o rei Abdullah II, o papa defendeu "a liberdade religiosa e o respeito dos direitos inalienáveis e da dignidade do homem, assim como uma paz duradoura, verdadeira e justa para todos os que vivem no Oriente Médio".

Abdullah II demonstrou sua vontade de ajudar a "afastar as sombras do conflito por meio de negociações que satisfaçam o direito dos palestinos à liberdade e a uma nação e o direito dos israelenses à segurança".

O monarca reiterou que é necessário resguardar a identidade de Jerusalém "como cidade santa, local de culto para todos".

Além disso, o rei jordaniano pediu para que seja estabelecida "uma convivência pacífica; que cada família possa viver em segurança, que todas as comunidades conheçam o poder da reconciliação e que o povo palestino possa acabar com seu sofrimento e compartilhar o direito e a dignidade da liberdade".

O pontífice se mostrou favorável a um "diálogo trilateral entre as três religiões monoteístas" - a cristã, a judaica e a muçulmana - ao considerar que este seria importantíssimo para a paz e "para que cada um viva bem a própria religião".

Bento XVI também se mostrou convencido de que o diálogo com os judeus, "apesar dos mal-entendidos" passados, está conseguindo "progressos e que isso ajudará" a atingir a paz.

O papa expressou seu respeito pela comunidade muçulmana e lembrou as iniciativas jordanianas "Mensagem de Amã", uma convocação do Islã rumo à tolerância, e a "Mensagem Inter-religiosa de Amã", dirigida aos cristãos e aos judeus para promover a paz.

Para o líder católico, essas iniciativas "têm favorecido uma aliança de civilizações entre o mundo ocidental e o muçulmano, desmentindo os prognósticos daqueles que consideram como inevitável a violência ou o conflito".

Bento XVI já disse que vinha à Terra Santa para apoiar os cristãos, que são menos de 250 mil entre Jordânia, Israel e territórios palestinos, e cuja quantidade vem diminuindo ao longo do tempo.

Hoje, o pontífice pediu aos fiéis para que não deixem a região, que tenham "humildade e paciência e sejam valentes", já que "são indispensáveis para a paz".

Amanhã, o papa visitará o monte Nebo - segundo a Bíblia, foi de lá que Moisés avistou a Terra Prometida - e uma mesquita de Amã, no que será a segunda vez em que pisa em um templo muçulmano como pontífice. EFE JL/bba

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