Bento XVI faz primeira visita à França

O Papa Bento XVI inicia sexta-feira na França uma visita muito profunda de quatro dias, durante a qual passará mensagens fortes e tentará tocar o coração dos franceses que ainda não o conhecem bem.

AFP |

Durante a primeira viagem à França desde sua eleição há três anos e meio, Bento XVI pronunciará 11 discursos e homilias, dirigidas a autoridades políticas, a uma Igreja da França em dificuldades e a fiéis menos entusiasmados com ele do que com João Paulo II.

Segundo o Vaticano, Bento XVI deve ser recebido no aeroporto de Orly sexta-feira às 11H10 (6H10 de Brasília) pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, uma disposição excepcional que não é prevista pelo protocolo, destacou o porta-voz do Vaticano, o padre Frederico Lombardi.

Nesta quarta-feira, Bento XVI disse aos franceses que vai "como mensageiro da paz e da fraternidade a este país de generosa tradição de recepção e de tolerância" e de "alta cultura humana e espiritual".

"Está é uma viagem muito importante porque a França oferece um terreno ideal para se exprimir sobre o tema principal de seu pontificado, ou seja, o papel que deve desempenhar a religião na arena pública nas sociedades ocidentais num momento em que o cristianismo está fragilizado", declarou à AFP Marco Politi, especialista do Vaticano ao jornal La Repubblica.

Em Paris, o Papa deve enviar duas mensagens sobre este tema: primeiro no Palácio do Eliseu às 13H00 de sexta-feira (8H00 de Brasília), depois a representantes do mundo da cultura Collège des Bernardins no mesmo dia às 17H30 (12H30 de Brasília).

No Palácio do Eliseu, Bento XVI deve reagir pela primeira vez ao conceito de "laicidade positiva" defendido em dezembro de 2007 por Sarkozy em seu primeiro encontro com o Sumo Pontífice em Roma.

Em seu discurso aos 700 representantes do mundo da cultura no Collège des Bernardins, o Papa, que está com 81 anos, universitário e teólogo, grande amante da França e fluente em francês, deve explorar o assunto falando sobre o papel da fé e sua relação com a razão na sociedade contemporânea.

Ao término deste primeiro dia cheio, Bento XVI celebrará uma missa na catedral de Notre Dame, onde fará um discurso aos religiosos, antes de se dirigir aos jovens.

No dia seguinte, pela manhã, cerca de 250.000 pessoas são esperadas na missa prevista para a Esplanada dos Inválidos (Invalides).

Este encontro com os fiéis deve ser a oportunidade para pedir aos católicos franceses uma "renovação espiritual", disse o especialista em Vaticano Andrea Tornielli.

Em Lourdes (sul da França), onde chegará sábado, dia 13 de setembro, no fim da tarde, Bento XVI irá primeiro como "um simples peregrino" até a gruta onde a Virgem apareceu à Bernadette Soubirous em 1858, destacou o cardeal francês Paul Poupard.

À noite, o Pontífice conduzirá uma procissão. Em seguida, ele celebrará duas missas, a primeira domingo de manhã na igreja de Lourdes, outra segunda-feira para os enfermos na esplanada da Basílica de Notre Dame du Rosaire (Nossa Senhora do Rosário).

Lourdes espera a chegada de cerca de 200.000 peregrinos.

Bento XVI encontrará domingo à tarde os bispos franceses, com quem deverá abordar novamente o papel da igreja num país laico assim como a questão sensível dos tradicionalistas.

A reabilitação por Bento XVI de certas práticas litúrgicas antigas e a liberalização da antiga missa em latim foi recebida com ressalvas por uma parte da Igreja na França.

Em Paris e em Lourdes, os deslocamentos do Papa serão altamente vigiados por 3.000 policiais a cada dia.

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