Bento XVI falará sobre terrorismo em sua viagem a Nova York

A viagem do Papa Bento XVI aos Estados Unidos é espiritual e não política, mas a questão do terrorismo e a controvérsia sobre os métodos utilizados por Washington para combatê-lo deverão ser mencionadas durante a visita.

AFP |

Em Nova York, onde ficará de 18 a 20 de abril, o Papa visitará o Marco Zero, o local onde estavam as Torres Gêmeas do World Trade Center, destruídas no dia 11 de setembro de 2001 em um dos atentados mais mortíferos da história da humanidade.

"A visita do Papa é muito importante para famílias, que nunca recuperaram os corpos de seus entes queridos", declarou à AFP Sally Regenhard, que perdeu um filho no atentado. "O Marco Zero é um cemitério para mais de 1.100 vítimas que nunca foram encontradas", acrescentou.

Os ataques de 11 de setembro de 2001 deixaram quase 3.000 mortos.

Como seu predecessor João Paulo II, que havia condenado firmemente o atentado, qualificado de "extremamente grave" e de uma "forma bárbara de violar a ordem moral e social", Bento XVI é o herdeiro de todos os Papas modernos que condenaram as guerras e a violência.

"Logo em sua primeira viagem apostólica, em agosto de 2005 em Colônia, Bento XVI pediu aos muçulmanos de todo o mundo que se unam aos cristãos para lutar contra o terrorismo", lembrou o jornalista e escritor francês Bernard Lecomte, autor de uma biografia sobre Bento XVI, numa entrevista concedida à AFP.

"Foi nesta perspectiva que ele promoveu a reaproximação com as outras religiões, sobretudo com o Islã, porque sabe que é o único meio de combater a violência", acrescentou.

Também foi neste sentido que o Papa aceitou um convite do rabino Arthur Schneier para visitar sexta-feira a sinagoga de Park East, na véspera da festa de Pessach (do hebraico, ou seja, passagem) - nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo

"Dediquei 40 anos de minha vida à promoção do diálogo e dos direitos humanos. Criei em 1965 a Fundação para a conscientização, que proclama que um crime cometido em nome da religião é o maior crime contra a religião", declarou o rabino Schneier à AFP.

"Perdi toda minha família no Holocausto. Não quero que tal tragédia se repita para ninguém, sejam católicos, judeus ou muçulmanos", acrescentou.

"O que mudou desde o dia 11 de setembro de 2001 é a época. Hoje, a dificuldade para o líder dos católicos é que terrorismo se confunde freqüentemente com fundamentalismo islâmico", destacou Lecomte.

"Os atos terroristas prstivados durante décadas pelos separatistas bascos do ETA, pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) e pela guerrilha das Farc são esquecidos", prosseguiu.

Bento XVI condena o terrorismo, mas não aprova os métodos empregados por Washington para combatê-lo.

Oposto, como João Paulo II, à guerra no Iraque, ele sempre exalta a dignidade humana e condena a tortura. Alguns dos métodos utilizados pela CIA durante os interrogatórios de prisioneiros, como a simulação de afogamento, são considerados como tortura pelos defensores dos direitos humanos.

"A Igreja católica condena a tortura como forma de conseguir a verdade", havia lembrado em dezembro de 2005 o cardeal Renato Raffaele Martino, presidente do conselho prontifício Justiça e Paz, ao apresentar a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz.

"A tortura é uma humilhação da pessoa humana. Logo, a Igreja não a admite", havia afirmado.

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