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Bento XVI encontrará católicos dos EUA imersos em mudanças profundas

Jorge A. Bañales Washington, 14 abr (EFE).

EFE |

- Os mais de 73 milhões de católicos dos Estados Unidos seguem formando a maior comunidade cristã do país, mas o papa Bento XVI encontrará, em sua viagem pelo país que começa nesta terça-feira, uma igreja em mudanças profundas, causadas em grande parte pelo influxo de imigrantes.

A proporção de habitantes dos Estados Unidos que se identificam como católicos se manteve relativamente estável em décadas recentes, mas isto oculta mudanças importantes dentro do catolicismo americano.

Nenhum outro credo religioso nos EUA experimentou uma perda maior de fiéis que os católicos nas últimas décadas: dos 31,4% de todos os adultos nos EUA que dizem ter criação católica, só 23,9% seguem ligado à Igreja, segundo um estudo do Centro Pew.

No total, aproximadamente um terço das pessoas que foram batizadas e educadas como católicos deixou a Igreja, e aproximadamente um de cada dez adultos do país se diz "ex-católico".

Durante mais de duas décadas, os católicos dos Estados Unidos sentiram a mão de ferro do cardeal Joseph Ratzinger e de sua Congregação para a Doutrina da Fé, que combateu teólogos dissidentes e afastou sacerdotes, religiosos e laicos que divergiam da linha oficial quanto a temas como sexualidade e justiça social.

Agora chegou a vez de Ratzinger visitar pela primeira vez como papa seu "rebanho", muito mais obediente hoje do que há duas décadas.

A Igreja Católica nos EUA continua abalado -tanto em prestígio quanto em finanças- pelos abusos sexuais cometidos por alguns sacerdotes, e pelo encobrimento desses delitos por parte de sua hierarquia durante décadas.

Se a proporção de habitantes dos Estados Unidos que se identificam como católicos se manteve em 25% do total, apesar das deserções ocorridas durante três décadas, isso se deve em grande medida à capacidade da Igreja Católica para atrair novos fiéis.

Outro fator importante neste processo é a imigração: quase a metade dos imigrantes nos EUA professa a fé católica, e 82% dos imigrantes católicos provêm da América Latina. Segundo o Centro Pew, 52% dos imigrantes católicos são oriundos de um único país: o México.

A difícil situação da Igreja Católica contribuiu ainda para a escassez de sacerdotes entre os católicos americanos: não só faltam sacerdotes, mas são ainda mais necessários os que falem espanhol e compreendam as necessidades de uma minoria que inclui milhões de imigrantes ilegais.

Por ordens do Vaticano, a maioria das arquidioceses nos EUA cortou drasticamente o avanço das mulheres rumo às funções sacerdotais, um processo que respondia precisamente à escassez de sacerdotes.

Às vésperas da chegada de Bento XVI a Washington, em 15 de abril, o grupo Ordenação para as Mulheres realizará vigílias em diversas cidades, e celebrações eucarísticas com orações pela consagração de mulheres no sacerdócio católico, proposta à qual o papa se opõe frontalmente.

Uma enquete realizada pelo jornal "National Catholic Reporter" mostrou que 75% dos católicos dos EUA acreditam que uma solução para esta escassez seria a ordenação de homens casados.

Além disso, 81% disseram que aprovariam o retorno ao ministério dos sacerdotes que se casaram, e 61% apóiam a ordenação de mulheres.

Embora entre todos os católicos dos EUA, 65% sejam brancos e anglo-saxões, e os latinos sejam apenas 29%, os católicos hispânicos representam 44,5% dos membros da Igreja com idades entre 18 e 39 anos.

O "National Catholic Reporter" mostrou ainda a diferença entre as doutrinas oficiais da Igreja sobre o aborto e a pena de morte e a forma como os católicos nos EUA encaram estes assuntos.

A enquete mostrou que 75% dos católicos americanos acreditam que é possível ser um bom católico sem obedecer às doutrinas da Igreja sobre os anticoncepcionais, e 66% acham que não é necessário obedecer às doutrinas da hierarquia sobre o divórcio e o novo casamento. EFE jab/gs

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