Nova York, 18 abr (EFE) - O papa Bento XVI recebeu hoje as boas-vindas acolhedoras dos católicos nova-iorquinos, assim como dos funcionários da ONU, onde pronunciou um discurso no qual destacou o dever da instituição de intervir perante as crises humanitárias e proteger a população. Centenas de católicos, que ficaram perto da fortaleza na qual foi transformado hoje o prédio das Nações Unidas, cantaram e tocaram violão para receber o pontífice em sua primeira viagem à cidade. Outros levaram cartazes com frases como Bem-vindo Bento XVI, escritas em inglês e em alemão, e outras que diziam Todos com Bento e Tu és Pedro e sobre ti se construiu a Igreja. Nesse ambiente festivo, o bispo de Roma entrou na sede da ONU, onde foi recebido pelo secretário-geral da instituição, Ban Ki-moon, e pelo presidente de turno da Assembléia Geral, o macedônio Srgjan Kerim, junto a suas esposas e vários funcionários da instituição. O pontífice assinou o livro de visitantes e depois se reuniu com Ban durante 25 minutos no escritório de trabalho do secretário, um lugar pouco conhecido e do qual é possível ver o rio East, mas que, desta vez, foi aberto até para as câmeras de televisão por ser uma ocasião especial. Ali foram trocados os presentes protocolares. O chefe da Igreja Católica entregou a Ban um quadro que representa a nova planta da Cidade do Vaticano, feito por Pierluigi Isola, e do qual só há 50 cópias numeradas em romano.

O secretário-geral presenteou o papa com um selo comemorativo da ocasião dentro de uma caixa de madeira feita pelos carpinteiros da instituição.

Após seu discurso perante os embaixadores e diplomatas dos países-membros com assento na Assembléia Geral, o pontífice cumprimentou autoridades da instituição, entre eles a responsável do departamento de administração e gestão da ONU, a mexicana Alicia Cárdenas, que pediu a bênção de Bento XVI, que a concedeu.

Com gesto tímido, mas emocionado, o papa recebeu um ramalhete de flores de duas crianças e depois ouviu um coro infantil cantar uma música em alemão.

Bento XVI apresentou seus respeitos às vítimas dos atentados de 19 de agosto de 2003 contra o escritório da ONU em Bagdá, entre eles o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, ao parar e tocar a bandeira azul e branca das Nações Unidas que estava hasteada no dia na sede diplomática e que agora está nos quartéis-generais da instituição.

Também se deteve alguns momentos para rezar na sala de meditação da instituição e depois deixou o prédio.

O pontífice, que chegou aos Estados Unidos em 15 de abril, na véspera de seu 81º aniversário, e ficará em Nova York até domingo, está sendo amplamente acompanhado pela imprensa americana em suas coberturas informativas.

Além de estar presente durante toda a semana na capa de todos os jornais, as cadeias de rádio e de televisão dedicaram muitas horas de sua programação para descrever o perfil do papa e aproximá-lo dos americanos.

Nos EUA há 67 milhões de católicos, o que faz com que este seja o terceiro país com maior número de fiéis, atrás apenas de Brasil e México, e é um dos poucos em que os crentes dessa confissão crescem, apesar da ferida aberta na sociedade pelo escândalo dos padres pedófilos.

Muitos americanos conheceram mais a figura do pontífice pela imprensa, através da qual souberam que o papa gosta mais de refrigerante de sabor laranja que de vinho.

Eles souberam também que Bento XVI celebrará amanhã seus três primeiros anos à frente da Igreja Católica, que tem dois gatos, Chico e Joseph, e um cachorro, Igor, mas que não vivem em seus apartamentos do Vaticano porque ali não são permitidos animais de estimação, e que sua música preferida é a de Mozart.

Após o almoço na residência do núncio perante a ONU, Celestino Migliori, o pontífice irá à paróquia de St. Joseph e a uma sinagoga, em pleno centro de Manhattan, enquanto amanhã oficiará uma missa na catedral de St. Patrick e visitará crianças incapacitadas no seminário de St.Joseph, em Yonkers.

Ali, Kelly Clarkson, uma das vencedoras do programa de televisão "American Idol", cantará a "Ave Maria", e no domingo, antes de voltar ao Vaticano, irá ao "Marco Zero" e oficiará uma missa no estádio dos Yankees, com capacidade para mais de 57 mil pessoas. EFE emm/db

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