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Bento XVI diz que África está em perigo

Juan Lara. Yaoundé, 19 mar (EFE).- O papa Bento XVI declarou hoje que a África está em perigo devido aos imorais sem escrúpulos que tentam impor o reino do dinheiro desprezando os mais miseráveis.

EFE |

Além disso, o pontífice voltou a condenar o aborto, defendeu o casamento e a virgindade, e pediu aos africanos para que não se iludam com falsos ideais e glórias.

Bento XVI pronunciou essas palavras diante de quase 60 mil pessoas, segundo fontes policiais, que assistiram à missa em comemoração à festividade de São José no estádio Amadou Ahidjo, em Yaoundé.

O papa entrou no estádio em meio à euforia dos presentes, que o acolheram com cantos e músicas tipicamente africanos.

O pontífice ressaltou que São José é o modelo dos pais de família, aos quais incentivou a dar o melhor de si a seus filhos.

Além disso, o papa os estimulou a transmitir aos filhos os valores humanos e espirituais recebidos, para que reconheçam Deus.

"A África está em perigo se não reconhecer a Deus. Cristo é o único caminho de vida", afirmou Bento XVI.

O pontífice falou sobre a situação da família e disse que esta instituição sofre na África, assim como no resto do mundo, "um período de dificuldade", mas que superará isso com a ajuda de Deus.

Entre os problemas da família, o papa destacou que alguns valores tradicionais foram alterados e que as relações entre gerações se modificaram de uma maneira que não favorece a transmissão dos conhecimentos dos antepassados.

Além disso, Bento XVI falou do êxodo rural rumo às cidades e da queda na qualidade das relações familiares.

"Desarraigados e mais frágeis, os mais jovens buscam curar seus males refugiando-se em paraísos efêmeros e artificiais, importados de quem jamais chega a assegurar ao homem uma felicidade duradoura", denunciou o papa.

Bento XVI incentivou os fiéis a acolher a vida como um presente de Deus e, após afirmar que uma criança é uma "bênção" - em uma clara condenação do aborto e da eutanásia -, disse que "cada ser humano é criado à imagem e à semelhança de Deus. A morte não deve prevalecer sobre a vida".

Lançando mão da figura de São José, o papa pediu aos casados para que respeitem suas esposas, aos namorados, para que respeitem o futuro cônjuge, e aos religiosos, para que sigam o celibato.

"O casamento e a virgindade são os dois modos de se expressar e de viver o único mistério da aliança de Deus com seu povo", afirmou Bento XVI.

O pontífice encorajou os jovens a não perder a esperança e a não rejeitar a vocação religiosa, e levou palavras de consolo para as crianças órfãs, abandonadas na miséria e nas ruas, às maltratadas e vítimas de abusos e às recrutadas à força por grupos militares "que castigam alguns países".

Ao fim da missa, o papa entregou aos presidentes das Conferências Episcopais africanas o "Instrumentum laboris" (documento de trabalho) do 2º Sínodo para a África, que será realizado em outubro deste ano, no Vaticano.

Para o arcebispo Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo, a segunda edição do evento ocorre em um momento de grande vitalidade e dinamismo da evangelização africana.

Segundo dados do Vaticano, três nações africanas estarão entre os dez maiores países católicos do mundo em 2050: República Democrática do Congo (97 milhões de católicos), Uganda (56 milhões) e Nigéria (47 milhões). EFE JL/bba/an

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