Bento XVI diz que acesso à Bíblia é indispensável para evangelização

Cidade do Vaticano, 26 out (EFE).- O papa Bento XVI encerrou hoje a XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos com uma missa solene na Basílica de São Pedro, onde disse que os fiéis devem ter acesso à Bíblia, requisito indispensável para a Evangelização, e anunciou que em março de 2009 realizará sua primeira viagem à África.

EFE |

O papa visitará Camarões e Angola. No primeiro país entregará às Conferências Episcopais da África o Instrumentum laboris (documento de preparação) da II Assembléia Especial para a África do Sínodo dos Bispos que será realizada em outubro de 2009, no Vaticano.

Em Angola, lembrará do aniversário de 500 anos da evangelização do país africano.

O pontífice concelebrou a missa com os 325 cardeais, patriarcas e bispos de todo o mundo que durante os últimos 21 dias participaram do Sínodo, que abordou "A palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

Na homilia, ressaltando a comunhão dos prelados com a Igreja universal e a fidelidade ao Bispo de Roma, o papa lembrou os bispos da China que foram impedidos pelas autoridades comunistas de sair do país para participar do evento.

"Peçamos a Deus que lhes dê alegria, força e zelo apostólico para guiar com sabedoria e amplo ponto de mira a comunidade católica na China, a quem tanto amamos", disse Bento XVI.

O papa afirmou que do sínodo saiu a constatação de que a Igreja do terceiro milênio "tem de se nutrir" da palavra de Deus "para que a nova evangelização seja eficaz".

O pontífice ressaltou que é necessário que os fiéis tenham "amplo acesso" às Sagradas Escrituras.

"Trata-se de um requisito indispensável para a evangelização", afirmou o papa, que disse ser também indispensável uma promoção pastoral forte e confiável do conhecimento das Sagradas Escrituras.

Com esse objetivo, Bento XVI disse que é necessária uma "cuidadosa" preparação intelectual dos bispos e sacerdotes, e incentivou o aumento da leitura da Bíblia entre os clérigos e animou os animadores de grupos, especialmente os jovens, a divulgar a palavra de Deus.

Bento XVI ressaltou a relação "vital" entre povo e a Bíblia, afirmando que este "é um livro vivo com o povo que a lê" e que as pessoas "não subsistem sem ela, já que nela encontram sua razão de ser, sua vocação e sua identidade".

Durante a missa, o papa pediu, em árabe, pela paz no mundo e por uma sociedade mais justa.

O sínodo foi concluído com a aprovação de 55 propostas nas quais se ressalta a opção da Igreja pelos pobres, o reconhecimento do papel da mulher no anúncio da palavra e a potencialização do diálogo com judeus e muçulmanos.

Além disso, as propostas incentivam os bispos a melhorar as homilias, expressam a preocupação com seitas e defendem que a Bíblia seja traduzida para todas as línguas e que cada cristão tenha a sua, além de serem a favor da divulgação dela através de todos os meios de comunicação existentes.

Segundo os prelados, a palavra divina também deve ecoar por meio de rádio, internet, televisão e todos os outros canais de comunicação de hoje dia, como "CDs, DVDs e iPods", disseram.

Ainda sobre o livro sagrado, Bento XVI disse que, "embora seja verdade" que a Bíblia é o grande livro da cultura universal, ela "não pode perder o elemento divino e tem de ser lida sob o mesmo espírito em que foi composta".

Os prelados também sugeriram que a palavra divina seja ensinada nas escolas - católicas ou não - e em outros centros educativos, e afirmaram que a Bíblia "é o grande código da cultura universal", sem a qual não é possível entender o Ocidente. EFE jl/fh/an

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