Bento XVI completa 5 anos como papa entre escândalos de pedofilia

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 17 abr (EFE).- O Pontificado de Bento XVI completa cinco anos na próxima segunda-feira, em meio a duras críticas ao Vaticano e ao próprio papa pela gestão dos escândalos de padres pedófilos.

EFE |

Especialistas consideram o momento atual o "mais delicado e difícil" para Bento XVI até agora. Os escândalos puseram igrejas de Estados Unidos, Irlanda, Alemanha e Áustria, entre outras, no banco dos réus e respingaram até no papa, acusado de ter encoberto padres pedófilos quando cardeal-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Após as dezenas de casos de pedofilia nos EUA, que deixaram várias dioceses quebradas devido às indenizações milionárias que tiveram que pagar, nos últimos meses vieram à tona os chamados relatórios "Ryan" e "Murphy". Ambos revelam abusos sexuais cometidos durante décadas contra centenas de crianças irlandesas por parte de sacerdotes, sobretudo na arquidiocese de Dublin, entre 1975 e 2004.

O papa chamou os bispos irlandeses ao Vaticano, exigiu que eles enfrentem o problema com determinação e ordenou uma inspeção das dioceses envolvidas, após qualificar os abusos de um "crime atroz" e, em carta enviada aos católicos irlandeses, pedir perdão às vítimas.

No entanto, em plena polêmica na Irlanda, vieram à tona suspeitas de abusos cometidos em centros religiosos da Alemanha contra 350 menores nas décadas de 1970, 1980 e 1990. As acusações recaem sobre 23 das 26 dioceses católicas do país, entre elas na escola de elite dos jesuítas Canisius, em Berlim.

As suspeitas incluem também o Coro da Catedral de Regensburg, dirigido durante anos pelo irmão do papa, George, que afirmou que nunca soube desses abusos, embora tenha admitido que recorreu à violência para disciplinar alunos em algumas ocasiões.

As denúncias de pedofilia se estenderam a Áustria, Holanda e Itália até respingar no próprio papa, depois que o jornal "New York Times" o acusou de encobrir um sacerdote que abusou de 200 crianças surdas nos EUA, fato desmentido pelo Vaticano, que denunciou uma campanha contra o pontífice.

O jornal alemão "Sueddeutsche Zeitung" informou que, na década de 80, quando era arcebispo de Munique e Freising, o papa autorizou que um sacerdote com antecedentes de pedofilia e que tinha sido expulso por do bispado da cidade alemã de Essen trabalhasse na capital bávara.

O Vaticano assegurou que o papa era "totalmente alheio" ao caso e que assumiu "o ex-vigário, Gerhard Gruber, assumiu plena responsabilidade e decidiu que o padre poderia voltar a exercer o Ministério".

Perante os incessantes ataques das últimas semanas contra o papa, o Vaticano uniu forças, afirmando que Bento XVI foi o pontífice que mais lutou contra a pedofilia.

"Santidade, não está só, os fiéis não se deixam impressionar pelas maledicências do momento", disse o decano do colégio cardinalício Angelo Sodano, durante a Missa da Ressurreição, na qual expressou o apoio de toda a Igreja ao papa.

Grupos de vítimas, por sua vez, exigem que o papa renuncie e vários investigadores britânicos pediram que ele seja "detido" durante sua visita ao Reino Unido em setembro, enquanto teólogos, como seu ex-companheiro Hans Kung, querem que peça perdão.

Mas as acusações de pedofilia não são o único momento grave do Papado do alemão.

Em 2009 ele recebeu duras críticas do mundo judaico, após revogar sua decisão de excomungar quatro bispos lefebvrianos tradicionalistas, entre ele Richard Williamson, que nega o Holocausto.

Suas palavras puseram a comunidade judaica em pé de guerra e obrigaram Bento XVI a exigir pessoalmente que o bispo se retratasse publicamente, condenasse o Holocausto e afirmasse que "a minimização deste crime terrível é intolerável e totalmente inaceitável".

Mas essas não foram as únicas controvérsias com os judeus. No final de 2009, eles voltaram a criticar duramente o papa por declarar Pio XII venerável - primeiro passo à santidade -, já que acusam o religioso de ter se calado perante o Holocausto.

As relações com o mundo judaico voltaram a passar por outro momento delicado na Sexta-Feira Santa, quando o predicador da Casa Pontifícia, Raniero Cantalamessa, comparou as críticas a Bento XVI pelos casos de pedofilia com o antissemitismo.

Se as relações com os judeus nesses cinco anos foram complicadas, o papa também viveu momentos de tensão com o mundo muçulmano em 2006, quando citou um imperador bizantino na Universidade de Regensburg (Alemanha) e disse que "Maomé não tinha trazido nada inovador exceto a ordem de estender a fé com a espada".

Engordando a lista de polêmicas, em março de 2009, durante sua primeira viagem à África, o papa afirmou que a aids não pode ser combatida só com dinheiro e preservativos, que, para ele, "aumentam o problema". EFE jl/pb/rr

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