Bento XVI começa amanhã sua primeira viagem oficial à África

Juan Lara. Cidade do Vaticano, 16 mar (EFE).- O papa Bento XVI começa amanhã sua primeira viagem oficial à África, durante a qual passará sete dias entre Camarões e Angola, dando especial atenção às guerras, à fome e às doenças que castigam a população do continente.

EFE |

O principal motivo da viagem é entregar em Yaoundé, capital de Camarões, o "Instrumentum laboris" (documento de preparação) do II Sínodo para a África - evento que será realizado em outubro deste ano no Vaticano - às Conferências Episcopais da África.

Em Luanda, cidade na qual chegará no próximo dia 20, Bento XVI lembrará o aniversário de 500 anos da evangelização de Angola, o primeiro território do sul africano a receber missionários.

Esta será a primeira viagem de um pontífice ao continente desde março de 1998, ocasião em que João Paulo II visitou a Nigéria e beatificou Cyprian Michael Iwene Tansi, um monge nigeriano que morreu em Londres em 1964.

Mesmo depois de mais de uma década, muitos problemas econômicos, sociais e políticos da África parecem continuar no mesmo patamar. Um documento do Vaticano preparado para a ocasião ressalta que avançam a corrupção, o mau Governo, a desigualdade social, as doenças, a pobreza e a distância cada vez maior entre governantes e cidadãos.

Além disso, guerras e conflitos continuam tendo força, acordos de paz e tréguas não são respeitados por muito tempo e as violações dos direitos humanos se perpetuam diante da indiferença da comunidade internacional.

Mesmo diante deste cenário, o papa reconheceu a "enorme potencialidade e esperança" do continente africano.

Segundo o porta-voz vaticano, Federico Lombardi, o papa pedirá "reconciliação, paz e justiça" para os povos da África - esse é o lema do II Sínodo de Bispos africanos.

A reunião será celebrada em um momento de expansão do catolicismo na África.

O número de católicos cresceu 3,1% nos últimos anos e, segundo dados do Vaticano, a República Democrática do Congo (97 milhões de fiéis), Uganda (56 milhões) e Nigéria (47 milhões) estarão entre os dez maiores países católicos do mundo em 2050.

A Igreja Católica considera a explosão do catolicismo na África Subsaariana durante o século XX como um dos maiores sucessos missionários em sua história. O número de fiéis na região passou de 1,9 milhão em 1900 para 139 milhões no final do ano 2000.

Na África, o catolicismo enfrenta a concorrência dos cultos animistas locais, do Islã - um em cada três africanos é muçulmano - e da recente penetração das igrejas pentecostais vindas da América.

Bento XVI chega amanhã a Camarões, país no qual os católicos totalizam 26,8% da população, os muçulmanos, 22%, e o restante mantém a fé em religiões tradicionais.

Segundo dados de 2007 da ONU, Camarões é considerado o país mais corrupto do mundo. O Vaticano diz que os bispos estão preocupados com a apropriação indevida, o roubo de animais, o desperdício de recursos públicos e com o aumento do desemprego entre jovens.

A segunda etapa da viagem será Angola, em cuja capital, Luanda, Bento XVI abençoará o processo de consolidação da paz iniciado em 2002 e os progressos econômicos registrados nos últimos anos, cujos benefícios, segundo o relatório vaticano, devem ser repartidos por toda a população, especialmente os mais pobres.

Considerado como o país africano que mais cresce (é o maior exportador de petróleo do continente), Angola ainda tem 70% de sua população vivendo na miséria e 17% de analfabetos. EFE JL/bba/mh

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