Bento XVI autorizou trabalho de padre envolvido em casos de pedofilia

Berlim, 12 mar (EFE).- O papa Bento XVI autorizou nos anos 80 um padre com antecedentes de pedofilia a realizar o trabalho pastoral na cidade alemã de Munique.

EFE |

Na década de 80, Bento XVI foi arcebispo das cidades de Munique e Freising. O padre envolvido em casos de pedofilia já havia sido expulso do bispado de Essen (Alemanha) por causa disso.

O porta-voz do Arcebispado de Munique confirmou hoje, em declarações à edição digital do jornal "Süddeutsche Zeitung", que "graves erros" foram cometidos nos anos e que a mudança de cidade do padre pedófilo foi feita "com a autorização do então arcebispo" - no caso, o atual pontífice.

O sacerdote, que continua em atividade em uma comunidade da Alta Baviera, foi reincidente em Munique, confirmou o arcebispado.

A saída de Essen aconteceu em 1980. Em 1982, Bento XVI foi nomeado como responsável regional da Congregação para a Doutrina da Fé e se mudou para Roma.

Em 1986, o sacerdote em questão foi condenado a 18 meses de prisão sob liberdade condicional e ao pagamento de uma multa por ter reincidido nos abusos sexuais.

Apesar de tudo, o religioso não foi afastado do trabalho pastoral e continua exercendo-o quase ininterruptamente, confirmou o arcebispado ao "Süddeutsche Zeitung".

Confrontado com estas informações, o arcebispado anunciou que analisará todas as atas relacionadas a casos antigos.

O ex-vigário geral de Munique, Gerhard Gruber, de 81 anos, assumiu, em declarações ao jornal, total responsabilidade pela mudança do sacerdote a partir de Essen e por sua permanência em atividade.

O "Süddeutsche Zeitung" tem uma declaração juramentada de um homem, que tinha então 11 anos, e que relata como o sacerdote o obrigou a praticar sexo oral.

Segundo o diário, quando o padre foi para Munique, estava previsto que se submetesse a um tratamento. Em vez disso, passou a trabalhar diretamente em uma igreja da cidade.

Bento XVI aparentemente não foi informado sobre o retorno do padre ao trabalho normal.

A Alemanha vive nas últimas semanas uma maré de denúncias de casos de pedofilia ocorridos em escolas religiosas nos anos 70 e 80.

EFE ih/bba

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