Bento XVI abre sínodo dos bispos sobre a palavra de Deus

O Papa Bento XVI abriu neste domingo um sínodo de bispos do mundo inteiro dedicado à palavra de Deus com uma missa solene na basílica romana de São Paulo Extramuros, durante a qual denunciou determinada cultura moderna que proclamou a morte de Deus e alertou para a grave perda da influência do cristianismo na Europa.

AFP |

Na homilia, o Papa traçou um quadro sombrio sobre a influência do cristianismo na Europa, ameaçado de extinção como algumas comunidades cristãs dos primeiros séculos, e inclusive evocou o "castigo" que Deus impõe às comunidades cristãs rebeldes ou incoerentes.

"Se olharmos a História, estamos obrigados a ver com bastante freqüência o afastamento e a rebelião de cristãos incoerentes. Diante disso, Deus, apesar de nunca faltar à promessa de salvação, tem recorrido freqüentemente ao castigo".

Bento XVI, que em setembro visitou a França, um país laico, destacou que "algumas nações uma época ricas na fé e em vocações perdem agora sua identidade própria, sob a influência perniciosa e destrutiva de determinada cultura moderna".

"Ali vemos o que, depois de decidir que 'Deus está morto', perde sua identidade própria, se declara 'deus' ele mesmo e se considera como o único artífice de seu próprio destino, o proprietário absoluto do mundo", acrescentou.

"Quando os homens se proclamam proprietários absolutos de si mesmos e únicos donos da criação (...) a crônica diária mostra que se estendem no poder arbitrário, nos interesses egoístas, injustiça e exploração, na violência em todas as suas expressões", afirmou o Sumo Pontífice.

No entanto, recordou que "se em certas regiões a fé se debilita até apagar-se, sempre existirão outros povos para recebê-la".

Os sínodos são assembléias consultivas responsáveis por assessorar o Papa em temas da vida e da missão da Igreja Católica, que tem mais de um bilhão de fiéis no mundo.

Os 253 cardeais, arcebispos e bispos, assim como os membros do clero masculino que participam - no total 326 pessons - celebraram a missa em vários idiomas ao lado de Bento XVI.

Vinte e cino mulheres laicas ou religiosas também participarão no sínodo como especialistas ou assistentes.

O tema principal da reunião é como o mundo recebe a palavra de Deus por meio da Bíblia.

O documento preparatório cita os problemas do fundamentalismo cristão, das relações entre religião e ciência e do diálogo com o judaísmo, assim como o aumento do desapego à religião.

Pela primeira vez um representante do judaísmo, o grande rabino de Haifa (Israel), Shear Yashyv Cohen, tomará a palavra ante o sínodo para expor o ponto de vista judeu sobre os textos bíblicos.

nou/fp

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