Benjamin Netanyahu: o retorno de um homem marcado pela rigidez

Falcão convicto, ultraliberal no plano econômico, Benjamin Netanyahu sonha em recolocar nos eixos a direita nacionalista israelense e se apresenta como a única alternativa para suceder Ehud Olmert no cargo de primeiro-ministro.

AFP |

No fervor do anúncio quarta-feira por Ehud Olmert de sua demissão próxima, "Bibi", ex-primeiro-ministro de 58 anos, se posicionou imediatamente, manifestando sua vontade de enviar ao esquecimento o atual governo defendendo eleições antecipadas.

A opinião pública considera a idéia totalmente possível. Assim, na hipótese de eleições antecipadas, Netanyahu tem o apoio de 36% das pessoas entrevistadas, contra 24,6% para o atual ministro dos Assuntos Estrangeiros Tzipi Livni e 14,9% para o ministro da Defesa e chefe do partido trabalhista Ehud Barak, segundo uma pesquisa publicada quarta-feira.

Segundo esta pesquisa, publicada pelo canal "10" (privado), ele teria 36,6% dos votos se disputasse com um outro falcão, Shaoul Mofaz, do Kadima, (12,4%) e Barak (14,8%).

Considerado por muitos um mágico, especialista em mídia, ele espera colher os frutos de um trabalho realizado para apagar o fracasso das últimas legislativas de março de 2006.

Acusado por suas tropas de ser responsável desta derrota, a pior registrada por seu partido, ele terminou de curar as feridas da cisão iniciada por Ariel Sharon, em novembro de 2005, para fundar o partido centrista Kadima.

Esperando tranquilamente sua hora, ele explorou as repercussões da última guerra do Líbano (julho 2006) e uma série de escândalos político-financeiros que minaram Ehud Olmert antes de ele cair.

Ele, que foi em 1996 o mais jovem primeiro-ministro de seu país e o primeiro chefe de governo nascido após a criação de Israel em 1948 espera assim constituir uma maioria parlamentar a partir das 12 cadeiras de seu partido, nas 120 cadeiras do Knesset.

"Se eu for eleito, constituirei um governo de união, e não um governo saído das combinações", acrescentou.

"Este governo está prestes a terminar. Pouco importante quem estará à frente do Kadima. Precisamos deixar o povo decidir com novas eleições", acrescentou o ex-primeiro-ministro.

Criticado por sua política econômica quando estava no poder, é sobre o tema palestino que ele aparece em melhor posição nas pesquisas de opinião.

Consciente de que a maioria dos israelenses rejeita concessões territoriais, "Bibi" deseja submeter a um referendo qualquer retirada da Cisjordânia.

Ele recusa além disso uma divisão de Jerusalém, propõe uma política econômica ultraliberal e rejeita concessões em favor dos palestinos que poderiam segundo ele colocar em perigo a segurança de Israel.

Ferrenho opositor dos acordos entre israelenses e palestinos de Oslo (1993), ele foi no entanto obrigado a ceder às pressões americanas, concluindo dois acordos com Yasser Arafat quando era primeiro-ministro.

Seu fracasso eleito de 1999 frente a Ehud Barak foi seguido por problemas com a justiça, para ele e sua esposa Sarah, um ex-aeromoça. A justiça se recusou a culpá-lo num caso de corrupção por falta de prova.

Puro produto da elite ashkenaze, que fundou Israel, ele passou sua juventude nos Estados Unidos, por isso fala perfeitamente o inglês.

Muito bom em debates, ele fez carreira na diplomacia, antes de ser eleito no Parlamento em 1988. Sua ascensão foi meteórica, porque ele se tornou pouco depois vice-ministro dos Assuntos Estrangeiros e, em seguida, em 1992, chefe do Likud e líder da oposição.

pa/lm

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