Belgrado condena a decisão do TPII de absolver ex-premiê do Kosovo

Belgrado, 3 abr (EFE).- As autoridades sérvias condenaram a decisão do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) de absolver o ex-primeiro-ministro do Kosovo Ramush Haradinaj, antigo comandante guerrilheiro albano-kosovar, das acusações de crimes de guerra.

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"Com essa decisão, o Tribunal de Haia frustra a justiça e as vítimas inocentes de Haradinaj", disse o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, em comunicado.

Kostunica criticou a decisão "obscura" e o TPII, que qualificou de "um tribunal que não existe para pronunciar sentenças, mas, evidentemente, para, entre outros, emitir certificados oficiais de inocência aos que cometiam crimes, como Haradinaj".

"Dessa forma foi cometido, além dos crimes de Haradinaj contra os sérvios, também outro novo grande crime, e a Sérvia o comunica publicamente e sem ambigüidades", destacou o primeiro-ministro.

Mesmo antes de se conhecer a decisão do TPII, o presidente sérvio, Boris Tadic, havia declarado que a absolvição de Haradinaj seria uma grande injustiça e uma perda de credibilidade para a corte internacional.

"Se essa decisão acontecer, não seria uma satisfação para a justiça, nem um encorajo para os sérvios e outros não albaneses para que no futuro tenham uma vida tranqüila e segura no Kosovo", disse Tadic.

O presidente destacou que em conversas com a ex-promotora chefe do TPII, Carla del Ponte, obteve informação sobre intimidações contra as testemunhas no processo contra Haradinaj, e inclusive que poderia ter havido assassinatos de alguns deles para calá-los.

O promotor especial sérvio de crimes de guerra, Vladimir Vukcevic, disse que espera que a promotoria do TPII - que pedia uma pena de 25 anos de prisão para Haradinaj - recorra da sentença, e ofereceu nesse sentido ajuda logística e outras de promotores sérvios encarregados de casos de crimes cometidos no Kosovo.

Vuckevic insistiu no envolvimento de Haradinaj em crimes de guerra e no fato de que "nove testemunhas relacionadas com o caso do ex-guerrilheiro foram assassinadas entre 2003 e 2007".

Também vários partidos políticos sérvios qualificaram de "vergonhosa" a decisão do TPII, e disseram que se cometeu um forte golpe contra o futuro do processo de reconciliação nos Bálcãs.

Por falta de provas, o TPII absolveu hoje Haradinaj e também o antigo membro da guerrilha albano-kosovar Idriz Balaj, de crimes de guerra e lesa-humanidade, que ele teria cometido entre março e setembro de 1998.

Outro ex-guerrilheiro, Lahi Brahimaj, foi condenado a seis anos de prisão.

Durante a leitura da sentença, o juiz holandês Alphons Orie explicou que a promotoria mostrou "provas insuficientes" para demonstrar que houve "um objetivo criminal comum para os três acusados", como defendia a acusação. EFE sn/fb

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