Bélgica no limbo novamente após colapso do governo

Por Philip Blenkinsop BRUXELAS (Reuters) - A Bélgica se viu debatendo-se por uma liderança política pela terceira vez no ano neste sábado depois que seu governo entrou em colapso após fracassada tentativa de socorrer o grupo financeiro Fortis.

Reuters |

O primeiro-ministro Yves Leterme ofereceu sua renúncia na sexta-feira após um relatório elaborado pela Suprema Corte indicar sinais de tentativa de interferência política na decisão da corte a respeito do futuro do banco, vítima da crise financeira mundial.

O rei Albert, que, segundo a constituição, é quem deve aceitar ou não a renúncia do primeiro-ministro, conversou até altas horas da noite com Leterme, mas adiou qualquer decisão imediata.

"Nós teremos de ver como garantir a estabilidade em nosso país --a estabilidade política que não temos no momento", declarou Didier Reynders, ministro das Finanças.

Leterme está no poder há apenas nove meses como líder de uma frágil coalizão de cinco partidos que tinha a intenção de acalmar a disputa entre grupos lingüísticos da Bélgica que reacendeu especulações de que o país de 178 anos poderia se dividir.

Partidos de oposição pediram novas eleições parlamentares, embora analistas duvidem que os partidos que integram a coalizão de Leterme queiram testar os eleitores exatamente no momento em que a Bélgica entra em recessão, e com o debate sobre o Fortis ainda fresco em suas mentes.

Leterme negou as acusações de que tenha tentado influenciar a corte de apelação, que na semana passada apoiou uma solicitação dos acionistas de uma divisão do banco conduzida pelo Estado, mas reconheceu que o relatório da Suprema Corte o colocou em uma posição insustentável.

"Eu confio em que o comitê parlamentar de investigação que está para ser organizado jogará luz sobre os fatos exatamente como eles ocorreram e estabelecerá a verdade", disse o primeiro-ministro em comunicado.

Leterme havia colocado seu cargo à disposição pela primeira vez em julho, depois de ter fracassado em esforço de quebrar as barreiras políticas entre grupos dentro do país que falam holandês e francês, mas o rei não aceitou.

Há um ano, o rei trouxe de volta o premiê Guy Verhofstadt para liderar um governo interino após Leterme ter falhado em formar uma coalizão logo depois das eleições em junho.

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