Bélgica busca governo de transição até eleições, em junho

Os principais atores da política belga realizavam consultas neste sábado em busca de uma solução para a demissão do atual governo, acusado de pressionar a Justiça no caso Fortis, e tudo apontava para a formação de um governo de transição até eleições legislativas antecipadas, em junho.

AFP |

O governo belga apresentou sua demissão na sexta-feira, após ser acusado de pressionar a Justiça para que autorizasse seu plano de socorro ao banco Fortis, um escândalo que voltou a mergulhar o país na crise política.

O rei belga, Albert II, que deverá decidir a questão, manteve contatos na madrugada deste sábado com os líderes dos partidos políticos majoritários, que reúnem liberais, democratas-cristãos flamengos, socialistas e centristas francófonos.

Albert II ainda não decidiu sobre a demissão do gabinete, liderado pelo premier Yves Leterme, mas parece pouco provável a permanência do atual governo após o escândalo envolvendo o banco Fortis.

Leterme, de 48 anos, que chegou ao poder em março passado, já havia apresentado sua renúncia em julho, diante da crescente pressão e exigências da comunidade flamenga do país, mas o rei o manteve no cargo.

Mas desta vez, o país parece menos propenso a aceitar a permanência de Leterme na liderança do governo.

Segundo o Tribunal de Cassação, há "indícios importantes" de que o governo de Leterme tentou influenciar a justiça no caso do resgate do banco belgo-holandês Fortis.

Conselheiros de Leterme teriam pressionado juízes para que validassem o desmembramento do grupo financeiro, decidido pelo governo no início de outubro para evitar sua falência diante da crise financeira mundial.

A decisão do rei "não pode demorar sob nenhum conceito", é preciso resolver isto "neste final de semana", advertia o jornal flamengo Het Laatste Nieuws em seu editorial.

Os principais partidos políticos rejeitam a idéia de eleições antecipadas imediatas, o que leva a crer na adoção de um governo de transição.

O primeiro passo para um governo de transição seria a nomeação, pelo rei, do novo primeiro-ministro, e aí surgem os nomes da presidente do partido Democrata Cristão flamengo (de Leterme), Marianne Thyssen, do presidente da Câmara dos Deputados, Herman Van Rompuy, também democrata-cristão flamengo, do liberal francófono Didier Reynders, e até dos ex-primeiros-ministros flamengos Jean-Luc Dehaene e Guy Verhofstad.

A crise na Bélgica não é nova, já que desde o verão de 2007 o reino atravessa uma tempestade política pelas disputas entre flamengos e francófonos sobre o futuro do país, e não consegue manter um governo estável além de alguns meses.

slb/LR

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