Bélgica: assassino da creche ouvia vozes, mas não foi internado

O jovem belga de 20 anos acusado de matar dois bebês e um adulto a facadas numa creche sexta-feira passada em Dedermonde, e de uma senhora em janeiro perto de Antuérpia, sofria problemas psíquicos e ouvia vozes, indicou seu advogado nesta terça-feira.

AFP |

Um tribunal belga prolongou, conforme esperado, a detenção provisória de Kim De Gelder, depois de audiência a portas fechadas, na qual o acusado manteve silêncio.

"Há provas de que ele tem problemas psiquiátricos, mas isso deve ser demonstrado em relatório. Com 15 ou 16 anos, ele teve uma grave depressão e adotou um comportamento estranho", declarou à imprensa o advogado designado de ofício, Jaak Haentjens.

"Quando tinha 18 anos, seus pais quiseram interná-lo, mas isso não aconteceu porque Kim De Gelder aceitou seguir um tratamento. Um psiquiatra disse que não era necessário o internamento. Naquela época, Kim ouvia vozes dentro de sua cabeça", acrescentou.

Nos últimos dois anos, ele continuou se isolando cada vez mais de sua família, até alugar um apartamento no qual vivia sozinho havia meses, segundo seu advogado.

Kim De Gelder foi indiciado por assassinato a facadas de dois bebês e uma professora da creche de Derdemonde, assim como da morte de uma mulher de 73 anos esfaqueada em 16 de janeiro em seu sítio em Antuérpia.

O advogado do jovem indicou segunda-feira que Gelder não compreende os motivos de seu ato, mas quer colaborar com a investigação.

"Compreende que fez alguma coisa de desumano. Acho que lamenta, mas não disse que sente remorsos ou se arrepende", comentou Jaak Haentjes à imprensa, após ter encontrado Kim De Gelder na prisão de Bruges (nordeste).

"Conversamos durante uma hora. Foi uma discussão construtiva, sobre sua vida, mas também sobre os fatos. O motivo pelo qual escolheu bebês de uma creche como vítimas é ainda um enigma. Quero saber porque fez isso. Ele se diz pronto para colaborar também", acrescentou o advogado.

siu/cn/lm

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