Belarus: Oposição não reconhece eleições que autoridades consideram exemplo

Moscou, 27 set (EFE).- Belarus registrou hoje eleições legislativas que as autoridades pretendem apresentar como exemplo de democracia, para, assim, normalizar as relações com o Ocidente, enquanto a oposição já tachou o pleito de fraudulento e antidemocrático.

EFE |

Pouco após o fechamento dos colégios, a oposição começou a se concentrar na praça central de Minsk com bandeiras da União Européia e outras vermelhas e brancas, que serviram de símbolo durante a independência após a revolução bolchevique de 1917 e depois da queda da URSS até a década de 90.

Há 15 anos, após sua chegada ao poder, o atual presidente bielo-russo, Aleksandr Lukashenko, restabeleceu a simbologia estatal soviética.

"Belarus está viva" e "Frente Popular" são as principais palavras de ordem das centenas de manifestantes, cercados por vários correspondentes nacionais e estrangeiros, e não pelas forças da ordem.

"As eleições ocorreram maravilhosamente bem. O eleitor não nos defraudou", disse Lidia Yermoshina, presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC), que duas horas antes já tinha informado sobre uma participação de 66,7% do eleitorado.

"Nunca reconheceremos como legítimos os resultados das eleições.

Sair às ruas para protestar é nossa obrigação moral", disse em conversa por telefone Anatoli Lebedko, líder do Partido Cívico Unido (PCU).

Segundo Lebedko, "Lukashenko aplica ao pé da letra o dito de Stalin: 'Não importa como se vota, mas como se contam os votos'".

De acordo com o líder opositor, a comissão eleitoral, que é a encarregada de contar os votos, quase não conta com representantes da oposição democrática.

"Os partidos governistas dominam 99,95% dos postos na comissão e a oposição, 0,05%", disse.

Mesmo assim, 26% do eleitorado, segundo a CEC, optou pela votação preliminar, que ficou totalmente fora do controle da oposição e dos observadores.

Na busca da normalização de relações com o Ocidente, Lukashenko anunciou uma "transparência sem precedentes" e a participação de "todos os observadores que quiserem" neste pleito.

Afirmou, inclusive, que, em alguns casos, as autoridades tiveram que descumprir sua própria legislação e a Constituição "para que as eleições ocorressem como o Ocidente e a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) queriam".

Por isso, "se também desta vez (os representantes do Ocidente) declaram que (as eleições) foram antidemocráticas, deixaremos de falar com eles", advertiu.

Mais de 900 observadores estrangeiros, entre eles mais de 400 enviados pela OSCE, controlam o andamento do pleito.

A União Européia (UE) antecipou que o cumprimento das normas internacionais neste pleito contribuirá para a normalização das relações bilaterais.

O bloco europeu "está disposto a se tornar amigo de Lukashenko.

Devemos mostrar com dados que nada mudou, que os progressos são microscópicos", denunciou Lebedko.

Tanto os EUA quanto a União Européia (UE) ainda não reconheceram as eleições presidenciais de março de 2006, nos quais Lukashenko foi reeleito com mais de 80% dos votos, ao considerá-las fraudulentas e precedidas de repressão à oposição democrática.

"O papel da oposição nestas eleições consiste em recolher provas da falsificação do pleito, pois o fato de que são ilegítimas e antidemocráticas já é evidente", disse o líder opositor.

Lebedko criticou a UE por não apoiar a oposição durante a campanha eleitoral, durante a qual os opositores foram alvo de agressões por parte das forças de segurança.

O líder opositor acusou a UE de estar voltada para os planos de privatização lançados recentemente por Lukashenko, no que descreveu como "grosseira comercialização" das relações diplomáticas.

Um total de 262 candidatos, entre eles mais de 60 opositores, disputou as 110 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento bielo-russo, ao qual chegarão se obtiverem mais de 50% dos votos em sua circunscrição. EFE mb/an

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