Polícia prende 639 opositores, incluindo sete candidatos, que denunciaram como fraude eleição de Lukashenko - no poder há 16 anos

O presidente de Belarus, Alexandre Lukashenko, anunciou nesta segunda-feira que 639 manifestantes foram presos por participar em protestos da oposição na capital do país, Minsk, na madrugada de domingo após a eleição presidencial em que ele foi declarado vencedor com 80% dos votos . A posse de Lukashenko, que está no poder desde 1994, está programada para 19 de fevereiro.

A eleição presidencial de domingo foi seguida por uma manifestação de dezenas de milhares de opositores, que foram brutalmente reprimidos pela polícia após ataque a um prédio oficial. Entre os manifestantes detidos estão sete de nove candidatos à presidência. Os Estados Unidos e União Europeia condenaram o uso da força contra a oposição.

Parente de opositor preso espera por informações do lado de fora de prisão em Minsk, capital da Bielo-Rússia
AP
Parente de opositor preso espera por informações do lado de fora de prisão em Minsk, capital da Bielo-Rússia
"Estamos particularmente preocupados com o uso excessivo da violência por parte das autoridades, especialmente contra vários candidatos às eleições que foram surrados e detidos, assim como jornalistas e membros da sociedade civil", afirmou a Embaixada dos Estados Unidos em Misnk.

"Fazemos um apelo ao governo de Belarus para que demonstre comedimento durante a continuação do processo eleitoral, que não pode ser marcado por intimidações nem violência", diz comunicado.

A diplomacia americana mostrou-se especialmente preocupada com o candidato Vladimir Nekliaev, que foi "levado à força de um hospital de Minsk por pessoas desconhecidas". "Exigimos seu retorno são e salvo, sem demora", afirma a nota.

Por sua parte, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, condenou a repressão contra a oposição e pediu a libertação "imediata" de todos os opositores detidos, declarou sua porta-voz, Maja Kocijancik.

Além de Nekliaev, foram presos no domingo os candidatos Andrei Sanikov, Nikolai Statkevich, Rygor Kastusev, Vitali Rymachevski, Ales Mijalevich e Dimitri Uss. Entre os detidos também está a jornalista da AFP Maria Antonova.

Iaroslav Romanchuk, um dos candidatos que não foi detido, fez um apelo à comunidade internacional para "que não seja indiferente à situação na Bielo-Rússia".

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que enviou uma missão de observação a Minsk, disse nesta segunda-feira que o país está muito longe de ter eleições livres, estimando que "ainda há um longo caminho a percorrer", indicou em um comunicado Tony Loyd, chefe da missão de observadores. "Faltou transparência na contagem de votos", disse.

"Esperava que, dessa vez, pudéssemos fazer uma avaliação positiva. Infelizmente, não foi possível por causa de uma contagem de votos fraudulenta e da resposta brutal contra as manifestações", afirmou por sua vez o embaixador Geert-Hinrich Ahrens, alto funcionário da missão da OCDE.

*Com EFE e AFP

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