Bebê é resgatado e Turquia pede ajuda externa após terremoto

Autoridades perceberam que milhares precisarão de casas pré-fabricadas para suportar inverno; mortos chegam a 459

iG São Paulo |

No dia em que um bebê de duas semanas foi retirada com vida dos escombros de um edifício demolido pelo terremoto de domingo no leste da Turquia, o governo decidiu aceitar ajuda externa depois que as autoridades de emergências decidiram que milhares de sobreviventes precisarão de casas pré-fabricadas para suportar o inverno na região montanhosa. O tremor de 7,2 graus deixou 459 mortos, 1.352 feridos e dezenas de milhares de desabrigados.

AP
Equipes de resgate carregam Azra Karaduman, bebê de duas semanas que foi retirada de destroços de prédio que entrou em colapso em Ercis, Van, em terremoto na Turquia
Num primeiro momento, Ancara afirmou que só aceitaria ajuda do exterior após investigar o impacto dos danos ocasionados pelo tremor. De acordo com um fonte do Ministério de Relações Exteriores, o país pediu nesta terça-feira tendas e moradias pré-fabricadas a mais de 30 países, incluindo Israel, com o qual tem uma tensão diplomática desde maio de 2010, quando uma ofensiva israelense deixou nove ativistas turcos mortos em uma flotilha com ajuda humanitária para o território palestino da Faixa de Gaza.

A assistência poderia representar um primeiro passo para a melhora das relações bilaterais entre os dois países. Ancara exige desculpas e indenizações às famílias das vítimas por parte de Israel, que rejeita as reivindicações.

Sobreviventes

Além do bebê, sua mãe e avó também foram salvas na cidade de Ercis, em meio a gritos eufóricos de quem acompanhou a dramática operação, sob frio e chuva. "É um milagre!", disse Senol Yigit, tio da pequena Azra (pureza). "Estou tão feliz. O que posso dizer? Passamos dois dias esperando por isso. Havíamos perdido a esperança ao ver o prédio (destruído)", afirmou o homem, soluçando.

Mais tarde, o canal NTV informou que Serhat Gul, um menino de 10 anos, foi resgatado dos escombros de sua casa na Província de Van mais de 54 horas depois do terremoto.

Mas a esperança de encontrar outros sobreviventes diminui a cada hora que passa, com a estimativa de que o total de mortos aumente pelo fato de ainda haver muitos desaparecidos sob os escombros de 2.262 imóveis que desabaram.

Desde domingo, milhares vêm passando as noites em barracas superlotadas ou encolhidos em torno de fogueiras. Muitas vítimas acusam o governo turco de estar mal organizado e de demorar a oferecer ajuda na região montanhosa, habitada principalmente por membros da minoria curda, e onde existe uma ativa guerrilha separatista.

Brigas foram registradas entre sobreviventes que, desesperados, tentaram agarrar barracas dos sobrecarregados agentes humanitários. Num prenúncio de mais problemas para as autoridades, tiros foram ouvidos enquanto prisioneiros ateavam fogo a uma penitenciária e confrontavam carcereiros na cidade de Van. Um motim logo depois do terremoto permitiu a fuga de até 200 presos.

O Partido AK (governista) pediu desculpas pelos problemas na distribuição da ajuda humanitária. Falta menos de um mês para a primeira nevasca do inverno na região, o que aumenta a urgência no trabalho de montagem de abrigo.

"Não temos barracas, todos estão ao relento. Van desabou psicologicamente, a vida parou. Dezenas de milhares estão nas ruas. Todos estão em pânico", disse o pedreiro Kemal Balci, que aguardava em um hospital local para receber notícias de amigos feridos.

"A ajuda tem chegado tarde", queixou-se. "Van foi reduzida a zero. Não temos empregos, não temos pão, não temos água, e há nove pessoas na minha família. Se o governo não der uma mão para Van, ela ficará como o Afeganistão. Van voltou cem anos no tempo."

*Com Reuters, AP e EFE

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