Wikileaks: embaixador dos EUA diz que Sarkozy usa Carla Bruni para fortalecer relação com Brasil

Em mensagem divulgada por site, autoridade americana qualifica relações entre Sarkozy e Lula de "história de amor"

BBC Brasil |

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Uma mensagem do embaixador dos Estados Unidos em Paris divulgada pelo site Wikileaks indica que ele acreditava que o presidente francês Nicolas Sarkozy usava o status de celebridade de sua esposa Carla Bruni para impulsionar as relações diplomáticas entre França e Brasil.

O telegrama, enviado ao Departamento de Estado americano, está entre as 250 mil mensagens do corpo diplomático americano que vêm sendo divulgadas pelo Wikileaks desde o último domingo e teve seu teor publicado pelo jornal britânico "The Guardian" nesta quarta-feira.

Ele relata que a primeira-dama Carla Bruni não participou da então visita mais recente de Sarkozy a Brasília "para decepção do público brasileiro, que, segundo a Embaixada brasileira em Paris, aprecia muito o fato de que o primeiro-casal francês passa férias no país".

"Achamos que Sarkozy tira total vantagem da popularidade individual de Carla Bruni e da popularidade do casal para aumentar o alcance dos interesses da França no Brasil", diz Rivkin.

A carta diz que o anúncio do Ministério das Relações Exteriores indicando preferência pelos jatos franceses Rafale, em detrimento dos jatos Super Hornet preferidos pela Força Aérea, deriva da relação próxima de Lula com Sarkozy. Na visão de Rivkin, o presidente francês estaria "preparando a França para a presidência do G8 e do G20 em 2011" e "cortejando países não-alinhados na esperança de aumentar a influência regional francesa" por causa do aumento da importância do G20 após a crise econômica.

'Caso de amor'

De acordo com a mensagem, o início "do caso de amor" entre os dois governos foi o primeiro encontro dos presidentes em 2007. Sarkozy teria, desde então, dito repetidas vezes que ele e Lula concordavam "em quase uma totalidade de temas" incluindo recuperação econômica, mudança climática e segurança.

Os diplomatas brasileiros também teriam afirmado, segundo o embaixador Rivkin, que os dois presidentes tem personalidades similares e que Lula teria comentado frequentemente que olhar para Sarkozy era como "olhar no espelho".

Apesar de Lula não falar inglês ou francês e a comunicação entre os dois líderes ser intermediada quase que exclusivamente por intérpretes, diplomatas brasileiros teriam dito que "os dois homens falam uma linguagem comum distinta, motivada pela sua vontade de mudar a ordem mundial".

A carta cita ainda o aumento do número de acordos comerciais e militares e o crescimento da presença de empresas, instituições culturais e eventos franceses no Brasil durante a presidência de Sarkozy como exemplos da proximidade entre os países.

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