WikiLeaks: Embaixador dos EUA chamou Karzai de fraco e paranóico

Em documento divulgado por site, diplomatas americanos mostram preocupação com a corrupção no governo do Afeganistão

BBC Brasil |

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O embaixador dos EUA no Afeganistão chamou o presidente do país, Hamid Karzai, de "paranóico" e "fraco", em comunicado a Washington vazado pelo site WikiLeaks. No documento, Karl Eikenberry diz que Karzai é "incapaz de compreender os princípios mais rudimentares da formação de um Estado". Os documentos mostram ainda uma profunda preocupação dos EUA com a corrupção no governo do Afeganistão.

AFP
Imagem de outubro de 2007 mostra, da esquerda para a direita, o embaixador Karl Eikenberry, o senador americano John Kerry e o presidente afegão Hamid Karzai em Cabul

Em mensagens datadas de julho de 2009, e publicadas pelo jornal britânico The Guardian, Eikenberry afirma que quatro reuniões recentes com Karzai foram "cordiais", mas manifestou "preocupações sobre o status da relação EUA-Afeganistão".

Ele afirma que ficou "apreensivo" com algumas das opiniões de Karzai, incluindo a crença do presidente afegão de que tanto EUA quanto Irã estavam apoiando seus adversários nas eleições realizadas em setembro de 2009.

Eikenberry disse ainda que identificava dois lados de Karzai - "um indivíduo paranóico e fraco não familiarizado com os preceitos básicos da construção de uma nação" e "um político astuto que se vê como um herói nacionalista", capaz de evitar que o Afeganistão seja dividido por adversários políticos. "Para recalibrar a nossa relação com Karzai, precisamos lidar com e desafiar ambas as personalidades", diz ele.

Opiniões semelhantes foram manifestadas em uma mensagem diplomática enviada em fevereiro de 2010, relatando um encontro de Eikenberry com o ministro das Finanças afegão, Omar Zakhilwal. Ele descreveu o presidente como "um homem extremamente fraco", propenso a acreditar em relatos de complôs contra ele.

Em mensagem datada de 2008, David Cameron - à época líder da oposição conservadora britânica, hoje premiê -, teria dito que a esfera de influência de Karzai diminuía a cada ano.

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