Violência marca nono dia seguido de protestos na Bolívia

Trabalhadores de diferentes categorias fazem greve e manifestações para exigir aumento salarial maior que o prometido pelo governo

BBC Brasil |

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Episódios de violência marcaram nesta sexta-feira o nono dia de protestos na Bolívia, onde trabalhadores de várias categorias querem que o governo conceda um aumento salarial maior do que o já prometido.

A central sindical Central Operária Boliviana (COB) convocou por tempo indeterminado uma greve geral, que conta com a participação de mineiros, professores, profissionais da saúde e da área rural.

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Manifestantes correm para fugir de gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Apacheta

Em La Paz, sede do governo e cidade mais populosa, manifestantes interromperam o trânsito em alguns pontos e forçaram a suspensão das linhas de ônibus intermunicipais. Ocorreram choques entre professores rurais e policiais na estrada que liga La Paz ao Estado de Oruro.

A TV ATB afirmou que, em Oruro, policiais lançaram gás lacrimogêneo e os manifestantes usaram dinamites, pedras e garrafas no confronto com as forças de segurança.

O uso de dinamite é comuns nos protestos bolivianos, especialmente por mineiros. O explosivo também simbolizou os protestos liderados pelo presidente Evo Morales, com apoio da COB, antes de chegar à Presidência, em 2006. Em vários pontos do país também houve bloqueio de estradas.

Inflação

Segundo a imprensa local, as manifestações desta sexta-feira foram maiores do que as de outros dias. A edição online do jornal La Razón, por exemplo, afirmou que "o conflito entre COB e governo se torna violento e se espalha pelo país".

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Manifestantes observam moto da polícia incendiada durante protesto em Apacheta

Em uma reunião com representantes dos governo no início da semana, os manifestantes se negaram a aceitar um acordo, condicionando isso à presença de Morales na mesa de negociações. A explicação oficial do governo para a ausência de Morales é que o presidente estava "participando de atividades locais" no Estado de Tarija (sul do país).

O governo propôs um aumento de salarial 10%, mas os manifestantes exigem reajuste de 15%, alegando a alta inflacionária.

O ministro das Comunicações, Ivan Canelas, disse nesta sexta-feira que o governo voltou a convocar os líderes do movimento para uma negociação na quinta-feira, "mas eles não compareceram".

De acordo com a agência de notícias oficial boliviana ABI, Canelas disse que "os ministros mantêm disposição para o diálogo". A agência disse também que Morales já teria se reunido com manifestantes, mas sem sucesso.

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