Vídeo de brasileira pode ajudar a pressionar Israel, diz ativista

Cineasta Iara Lee divulga em site vídeo de 15 minutos feito no dia do ataque de Israel à embarcação com ajuda humanitária

BBC Brasil |

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O vídeo divulgado na quinta-feira pela cineasta brasileira Iara Lee , com imagens feitas no principal barco da frota interceptada por Israel no dia 31 de maio, poderá servir para pressionar o governo israelense a aceitar responsabilidade e permitir uma investigação independente sobre o incidente, na avaliação da ativista palestina Huwaida Arraf, uma das líderes do movimento Free Gaza, organizador da frota.

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A ação israelense contra a frota de seis barcos , que pretendia furar o bloqueio à Faixa de Gaza para entregar ajuda humanitária, deixou nove mortos e estimulou fortes críticas internacionais contra Israel.

Para Arraf, de 34 anos, as imagens do vídeo da brasileira mostrariam que os passageiros do barco Mavi Marmara teriam adotado postura pacífica e ainda assim teriam sido atacados com violência pelos soldados israelenses que abordaram a embarcação. "As imagens confirmam o que vínhamos dizendo o tempo todo", disse Arraf à BBC Brasil, por telefone. Ela estava a bordo de outra das embarcações da frota de ativistas, o Challenger 1.

O vídeo de Iara Lee foi divulgado no site da ONG Cultures of Resistence . Segundo a cineasta, ela conseguiu esconder as gravações apesar de ter tido todo seu equipamento confiscado pelas autoridades israelenses.

Israel admite que o resultado de sua ação militar contra os barcos não foi o esperado, mas alega que os soldados reagiram à agressão dos ativistas. Imagens divulgadas pelas autoridades israelenses na semana passada mostravam soldados sendo agredidos pelos passageiros do barco. As Forças Armadas de Israel foram procuradas pela BBC Brasil para comentar sobre o novo vídeo, mas não haviam atendido o pedido até o fechamento deste texto.

Movimentação

As imagens divulgadas por Iara Lee mostram a movimentação entre os passageiros do barco antes e após a abordagem pelos soldados israelenses, incluindo o atendimento a feridos e paredes manchadas de sangue, mas não mostra confronto físico entre soldados e ativistas.

Para Arraf, mesmo sem mostrar ações violentas dos soldados no barco, o vídeo poderá ser usado como evidência em um grande número de processos que o movimento Free Gaza pretende mover contra o governo israelense em nome das vítimas da ação.

"O vídeo pode não expor tudo o que aconteceu a bordo do Mavi Marmara, mas ajuda a mostrar que a violência partiu dos soldados de Israel e que eles não permitiram que fosse enviada ajuda para os feridos", diz a ativista, nascida nos Estados Unidos de pais palestinos. Huwaida Arraf diz que outras imagens, feitas por outra pessoa em outro dos barcos da frota, também foram salvas do confisco israelense e devem ser divulgadas em breve.

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