Videla diz ser único responsável por repressão durante seu governo

Ex-líder da Argentina entre 1976 e 1981 é julgado pelo fuzilamento de trinta e um presos políticos em Córdoba

BBC Brasil |

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AFP
Jornalistas assistem julgamento de Videla pela televisão em Córdoba, na Argentina
Após longo período de silêncio, o ex-líder da Argentina, Jorge Rafael Videla, cuja gestão foi de 1976 a 1981, disse, nesta segunda-feira, que foi o "responsável" pela repressão do Exército naquele período.

"Fui totalmente responsável. Assumo minha responsabilidade na guerra interna contra os subversivos. Meus subordinados se limitaram a cumprir minhas ordens", disse.

As declarações de Videla, de 84 anos, foram feitas no tribunal de Justiça da cidade de Córdoba, na província de mesmo nome, no centro do país. Ele está sendo julgado pelo fuzilamento de trinta e um presos políticos, entre abril e outubro de 1976, naquela província.

Anistia

Videla disse ainda que a Justiça de Córdoba não poderia julgá-lo porque ele já foi sido julgado e absolvido pelo caso, em 1984 e em 1985. "Ninguém pode ser julgado duas vezes pela mesma causa", disse.

Segundo o site do jornal argentino bito Financiero, foi a primeira vez, em quase trinta anos, que Videla fez declarações sobre sua gestão. Essa também é a primeira vez que o ex-líder militar argentino volta a sentar no banco dos réus desde o julgamento das juntas militares em 1985, dois anos após o retorno da democracia.

Na ocasião, Videla foi condenado a prisão perpétua. Mas em 1990, o então presidente Carlos Menem (1989-1999) assinou um indulto aos militares condenados. Em 2003, no governo do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), a lei de anistia, da época de Menem, foi anulada e as causas da ditadura reabertas.

Em Córdoba, a expectativa é que as audiências vão prosseguir até o fim do ano, com mais de sessenta depoimentos.

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