O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, formalizaram um acordo petrolífero bilionário, nesta sexta-feira, para a criação de uma empresa binacional de produção e extração de petróleo na faixa petrolífera do rio Orinoco, no norte do país. Estima-se que as reservas desta faixa petrolífera, ainda em processo de certificação, tenha capacidade de 513 bilhões de barris de petróleo, o que a tornaria a maior reserva de petróleo do mundo.

A parceria integra um conjunto de 31 acordos assinados pelos dois países durante a primeira visita do premiê russo à Venezuela.

A estatal venezuelana PDVSA e o consórcio russo conformado pelas empresas Rosneft, Lukoil, TNK-BP, Gazprom e Surgutneftgaz devem constituir uma empresa mista para operar no campo Junín 6 da faixa petrolífera. Venezuela e Rússia estudam ainda ampliar a parceria petrolífera a outros três campos da faixa do Orinoco.

O governo russo adiantou o pagamento de US$ 600 milhões ao governo venezuelano, como parte da entrada de US$ 1 bilhão que deve ser entregue para a constituição da empresa binacional.

No acordo de associação, PDVSA terá 60% das ações e o consórcio russo ficará com os outros 40%. O projeto final prevê a produção de 450 mil barris diários de petróleo pesado. A inversão prevista para o empreendimento é de US$20 bilhões no prazo de 40 anos.

Defesa
Durante a visita de Putin foram entregues os quatro últimos helicópteros militares Mi-17 que completam o lote de 38 aeronaves compradas em 2006 pelo governo venezuelano.

Ao ser questionado sobre a possível reação dos Estados Unidos em relação à aliança militar com a Rússia, o presidente da Venezuela Hugo Chávez argumentou que as recentes compras são para a defesa do país e que seu arsenal é "modesto".

"Estamos nos equipando para a defesa. Vai ver o arsenal que tem a rainha da Inglaterra", afirmou, ao acrescentar. "E agora estão ameaçando a Argentina (...) à rainha digo que devolva essas ilhas à Argentina, as Malvinas são argentinas", disse Chávez, em referência à nova crise diplomática entre Argentina e Inglaterra.

Desde 2004, a Venezuela tem investido mais de US$ 4 bilhões na compra de armamentos russos. A aliança, considerada estratégica pelo governo de Caracas, permitiu a compra de 24 aviões de combate Sukhoi-30, 53 helicópteros de transporte e ataque e 100 mil fuzis de assalto 7,62 AK 103.

A Rússia passou a ser o maior fornecedor de armamentos para a Venezuela quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio proibindo a venda de armas à Venezuela, impedindo, inclusive, a venda de 24 Supertucanos da Embraer para as Forças Armadas do país.

Os Estados Unidos também deixaram de enviar peças de manutenção para as frotas de aviões F-16, de tecnologia norte-americana .

"Lula uma vez me disse: Hugo, não perca mais tempo, não poderemos cumprir (com a venda dos aviões Supertucanos)", disse Chávez.

"O império ianque não quer que tenhamos nem sequer um avião (...) não nos importa o que pense Washington, não estamos fazendo aliança contra Washington", afirmou.

O primeiro-ministro russo argumentou que a soma dos gastos militares de todas as nações do mundo são menores aos investimentos norte-americanos nesta área.

Em seguida, Putin disse que para os russos "é bom que os Estados Unidos não queiram vender", disse o primeiro-ministro, arrancando risos de Chávez.

"Continuaremos apoiando e desenvolvendo as capacidades de defesa da Venezuela", afirmou Putin em coletiva de imprensa.

Putin disse que o governo venezuelano possui um crédito de US$2 bilhões junto ao governo russo, mas que ainda não utilizou esses recursos para a compra de armas.

Em relação à continuidade do tratado bilateral, firmado em 2008 para promover o desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos, Chávez disse que ambos países "estão dispostos" a elaborar o primeiro projeto de construção de uma central de energia nuclear.

"Obviamente, com fins pacíficos", afirmou o mandatário, sem precisar quando o acordo poderia ser concretizado. "Temos que pensar na era pos-petróleo", disse Chávez, na véspera da visita de Putin.

O governo venezuelano enfrenta uma dura crise interna devido à escassez energética provocada pela longa estiagem.

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